A coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) rebate a acusação de desvio de verbas do Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf). Elimar do Nascimento Cezimbra, da coordenação do MST, disse ontem que as notícias contra o movimento fazem parte de uma tática do governo federal para desviar a atenção da demora da reforma agrária e das agressões sofridas pelos sem-terra recentemente. ‘‘O corte de recursos para assentamentos é uma retaliação’’, disse.
Cezimbra disse que o movimento não desviou R$ 1 milhão, como afirmou o superintendente regional do Incra, José Carlos Vieira, ao indicar irregularidades nos assentamentos de Bituruna, Quedas do Iguaçu e União da Vitória. Vieira disse anteontem à Folha que os técnicos da Lumiar teriam autorizado a compra indevida de 277 motosserras, em União da Vitória.
‘‘Na verdade, quem deve ao MST é o Incra, que sempre atrasa os repasses aos assentamentos’’, disse o sem-terra. Vieira contesta: ‘‘Foi a liderança do MST quem admitiu que usaram títulos podres e confirmou as pressões feitas para conseguir contribuições.’’.
Quanto às contribuições de 3% cobradas dos assentados, Cezimbra assegura que é espontânea. ‘‘Quem não contribuiu não é prejudicado pelo movimento e tem todos os projetos aprovados’’, disse. Ele afirmou que essa prática já é conhecida pelo Incra. ‘‘O mesmo instituto não se indigna quando o Banco do Brasil cobra uma taxa de 3% para movimento dos recursos do Pronaf’’, afirmou. No entanto, o índice do banco é 2,5%, definido na hora do contrato.
Cezimbra afirmou que as declarações feitas por Jaime Calegari, diretor da Coagri (cooperativa dos sem-terra), foram ‘‘infelizes’’. ‘‘Ele ficou nervoso e perdeu a linha de reflexão’’, disse. Além disso, Calegaria estaria há pouco tempo na direção da cooperativa, ‘‘o que o levou a dar informações truncadas’’.

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