RIO - O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, afirmou ontem, no Rio, que o MST não vai mais negociar com o ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann. ‘‘Com ele não há mais condições de diálogo, é despreparado e mentiroso’’, afirmou. Stédile acusou também o presidente Fernando Henrique, a quem chamou de omisso e ‘‘descumpridor’’ da palavra. ‘‘Ele firma compromissos e não os cumpre’’, disse. O líder do MST referia-se, em parte, ao assentamento das famílias de Eldorado de Carajás, no Pará, onde houve o massacre de 19 sem-terra em 17 de abril de 1996. ‘‘O presidente prometeu assentar todas aquelas famílias, mas isso só aconteceu com 220 das 1.500 famílias’’, declarou.
As declarações de Stédile foram feitas numa entrevista coletiva realizada no prédio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, onde ele distribuiu um manifesto assinado por mais de 200 intelectuais e artistas em apoio à marcha pela reforma agrária que saiu de três Estados rumo à Brasília. Entre os signatários do documento estão os jornalistas Barbosa Lima Sobrinho e Luís Fernando Veríssimo, os atores Mário Lago e Joana Fomm, os compositores Gilberto Gil, Aldir Blanc e Lobão, o escritor Silviano Santiago e o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Além deles, o ex-ministro da Fazenda e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, assina o manifesto.
O líder do MST revelou que o documento será entregue a Fernando Henrique em 18 de abril, em Brasília. ‘‘O presidente se dispôs a nos receber. Pelo menos é um canal de negociação’’, disse. Os 1.500 sem-terra que chegarão ao Distrito Federal na noite de 16 de abril deverão se juntar a outros manifestantes de cidades vizinhas. ‘‘Vamos fazer um grande ato em frente ao Congresso pela reforma agrária e para denunciar a impunidade dos assassinos do Parᒒ, contou Stédile. Segundo informou, o MST espera reunir dez mil pessoas na manifestação.
O MST confirmou a presença do Prêmio Nobel da Paz da Argentina, Adolfo Perez Esquivel, e das ‘‘madres’’ da Praça de Maio, de Buenos Aires, no ato pela reforma agrária em Brasília.

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