Coordenador do CNS quer redirecionamento dos recursos para saúde
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por Marcos Moita 
São Pedro, SP, 21 (AE) - O redirecionamento de recursos públicos conforme os tipos de doença que caracterizam cada região do País pode ser uma estratégia para melhorar o Sistema Único de Saúde (SUS). Foi o que defendeu hoje em São Pedro, interior de São Paulo, o coordenador geral do Conselho Nacional de Saúde, Nelson Rodrigues dos Santos, durante o 8º Encontro de Provedores, Diretores e Administradores Hospitalares de Santas Casas e entidades filantrópicas do Estado de São Paulo. "A incidência da doença e de outros problemas de saúde precisa ser tratada em nível regional. A região, por exemplo, caracteriza-se por muitos casos de violência e acidentes, o que exigiria mais recursos do governo federal", defendeu Santos.
Ele coordena um conselho ligado ao Ministério da Saúde. "Diante da insuficiência de recursos, que tende a piorar, e do crescimento da rede básica de saúde, é necessário discutir oferta e demanda. Este é o salto que precisa acontecer para melhorar o sistema de saúde no Brasil", afirmou.
O encontro, que termina no domingo (23), reuniu hoje 230 administradores hospitalares dos Estados da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e de São Paulo. Os provedores de santas casas, principalmente, reclamam que são obrigados a cobrir dívidas porque a verba repassada pelo SUS corresponde a apenas 1/3 de gastos desses hospitais com o atendimento público.
"Isso não é novidade. Mas, com o agravamento da crise econômica, não dá mais para manter esse endividamento" disse o provedor da Santa Casa de Misericórdia de Rio Claro, José Carlos Cardoso. Segundo ele a situação está complicada. "Os fornecedores não querem mais vender se não receberem na hora".
Santas casas passaram a reduzir ao máximo as despesas e estão buscando várias alternativas, como, por exemplo, o lançamento dos próprios planos de saúde para a obtenção de recursos. "Nosso sistema público de saúde tem de tomar um novo rumo, pois estamos com passos largos a caminho da falência", alertou o presidente da Federação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas do Estado de São Paulo, José Alberto Monteclaro Cesar.
Ele deverá se reunir na próxima semana com o presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasília, para "levar as preocupações e as apirações do setor hospitalar." "Não queremos favores. Só o pagamento justo dos serviços, disse Cesar, lembrando que o SUS paga aos hospitaos R$ 2,50 por consulta e R4 3,75 por internação.
O coordenador geral do Conselho Nacional de Saúde, Nelson Rodrigues dos Santos, reconhece que a situação é dramática. De acordo com ele, com o que o SUS gasta com a rede de saúde pública é impossível organizar um bom sistema de saúde no Brasil.


