Arquivo Folha O coordenador do Movimento dos Trabalhadores (MT) em Pombos, a 65 quilômetros do Recife, Cícero Gomes da Silva, 45 anos, foi morto com um tiro na cabeça e outro no tronco. Ele estava desaparecido desde o sábado à noite, quando organizava uma manifestação contra a violência no campo, que se realizou no domingo.
Ontem à tarde, seu corpo, que foi encontrado no Engenho Limeira, em Pombos, e se encontrava no Instituto Médico Legal (IML) desde a terça-feira, foi reconhecido pelo seu irmão, José Ulisses Gomes da Silva. Ex-funcionário da Usina Nossa Senhora do Carmo, Cícero estava acampado há um ano com mais 300 famílias de ex-trabalhadores rurais da empresa no Engenho São João Novo, pertencente à usina, que faliu em dezembro de 1995. Eles reivindicam direitos trabalhistas na justiça e lutam pela desapropriação de parte da área, com fins de reforma agrária.
Os integrantes do movimento acusam o ex-gerente e atual fiel depositário da Usina Nossa Senhora do Carmo, Laerte Pedrosa, pelo crime. ‘‘Ele vinha nos ameaçando constantemente’’, afirmou o coordenador estadual do movimento, Josias Soares. Segundo ele, Cícero participava da equipe de vistoria do Incra, que também teria sido ameaçada por Laerte, e só foi realizada, em março, com a ajuda da Polícia Federal.
De acordo com os trabalhadores, Laerte se transformou em inimigo e passou a querer expulsá-los do local depois de ganhar uma causa na justiça contra a usina. Como a empresa não tinha dinheiro para a indenização, a justiça determinou que ele ficaria como fiel depositário de grande parte das terras. A usina tem 13 engenhos e uma área total de aproximadamente nove mil hectares. O MST também disputa terras da usina para assentamento de sem terra.
O secretário de Segurança Pública, Antonio Morais, designou um delegado especial para investigar o caso. O delegado Valdir Macedo disse que primeiramente vai ouvir os trabalhadores e testemunhas em Pombos para depois convocar Laerte Pedrosa.
O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann (foto), disse que já tinha avisado o governo do Estado que a área da Usina Nossa Senhora do Carmo era de risco. Ele afirmou que se o governo estadual julgar necessária a ajuda de tropas federais para desarmar a Zona da Mata, terá todo o apoio do governo federal.

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