Coordenador de Jardins Botânicos tem processo por crime ambiental
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quinta-feira, 05 de julho de 2007
Fábio Cavazotti<BR>Reportagem Local 
O Coordenador Estadual de Jardins Botânicos, Doraci Ramos de Oliveira, responde a processo administrativo disciplinar por crime ambiental, que se arrasta há quase dois anos no Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Oliveira é o primeiro titular da nova coordenadoria da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, criada em maio por decreto do governador Roberto Requião, para acompanhar a construção do Jardim Botânico de Londrina.
O processo investigatório contra o servidor do IAP teve início em julho de 2005, após operação da Polícia Florestal na Estação Ecológica do Cauiá - reserva de 1,43 mil hectares localizada às margens da represa de Rosana, no rio Paranapanema (região noroeste). Na ocasião, os policiais confirmaram denúncia de que parte da reserva era alugada por R$ 500 mensais, para criação de gado particular pertencente a um fazendeiro vizinho à área. O chefe de conservação da unidade era Doraci de Oliveira, que também ocupava o cargo de coordenador regional do IAP em Paranavaí.
Durante a operação os dois guardas-parques da reserva foram detidos em flagrante. Oliveira se apresentou no dia seguinte e escapou da prisão.
Poucos dias após a operação, o então coordenador regional do IAP foi afastado do cargo, autuado pelo próprio órgão ambiental e multado em R$ 36 mil - por ''danificar unidades de conservação'' e ''deixar de cumprir a obrigação em caso de relevante dano ambiental''. Além de ser considerada reserva ecológica, a área de pasto encontrava-se na faixa de mata ciliar obrigatória.
Em entrevista na época, Doraci de Oliveira alegou que estava realizando uma ''experiência com bovinos para fazer o controle de ervas daninhas'' e acelerar o processo de reflorestamento. Ele reconheceu, porém, que a ''experiência'' não tinha sido levada aos superiores e que não havia responsável técnico. Os recursos arrecadados com o aluguel da área, segundo Doraci, eram investidos na manutenção da própria unidade.
O professor de Geografia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Jorge Villalobos, que participou da operação na Estação Cauiá como perito ambiental, rechaçou a explicação da pesquisa. ''Está claro que não é verdade, o que encontramos lá foi uma área - de difícil acesso - totalmente degradada pelo pisoteio do gado. Era um espaço de engorda dentro da reserva, com cocho de sal e tudo. Havia até uma porteira por onde o gado passava da reserva para a fazenda vizinha'', afirmou. As declarações de Villalobos foram confirmadas pelo laudo da Polícia Florestal.
Doraci de Oliveira foi procurado várias vezes pela reportagem mas não retornou as ligações.
O secretário estadual de Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, disse à FOLHA que deixou de acompanhar o processo desde que saiu da presidência do IAP, no final de 2006, e que não sabe porque o processo não terminou ainda. Segundo ele, porém, não pode haver ''pré-julgamento'' em relação à nomeação para o novo cargo. ''Ele está respondendo, aquilo está tramitando. Até onde pude acompanhar, apesar de infringir o plano de manejo da unidade, não havia dolo''. O secretário disse ainda que o edital para a primeira fase das obras do Jardim Botânico deve sair até o final de julho.


