Coordenador da ONS reafirma que raio causou blecaute e descarta risco
Recife, 14 (AE) - O coordenador nacional do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, reafirmou hoje que a causa do blecaute ocorrido na quinta-feira foi um raio que caiu sobre a subestação de Bauru, interior de São Paulo. Foram atingidos dez Estados e suas principais cidades. A subestação é um entrocamento de cerca de 400 mil volts, que representa um terço da energia do Estado de São Paulo. Segundo o coordenador do ONS, quando o raio atingiu a subestação, cinco linhas que interligavam o sistema foram rompidas. Segundo Santos, o problema não deve acontecer novamente. "É extremamente raro de acontecer", disse.
Na sexta-feira, o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, afirmou que existe a possibilidade de repetição do blecaute. "Risco de apagão existe permenentemente em qualquer sistema deste porte", explicou. Segundo ele, ocorrem casos parecidos até nos Estados Unidos.
O que o ministro Rodolpho Tourinho classificou de "fato excepcional", causou o desligamento de cinco linhas de transmissão, retirou de operação várias usinas e provocou o maior blecaute da história do País. O governo afirmou que houve perda também da energia de Itaipu e outras unidades.
A interrupção do fornecimento deixou no escuro os Estados de São Paulo, Rio, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul e afetou áreas de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal a partir das 22h06 de quinta-feira.
O senador Eduardo Suplicy (PT) afirmou ontem que entrará com um requerimento esta semana a fim de convocar as autoridades responsáveis pelo setor elétrico a depor no Senado. Segundo ele, serão chamados o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, e os presidentes da Eletropaulo, Marc André Pereira, e da Light, Michel Gaillard.
"Precisamos esclarecer porque não foram tomadas medidas que pudessem prevenir esse blecaute", afirmou. De acordo com o senador, o Ministério de Minas e Energia recebeu no fim de dezembro um alerta da Tunikito Corporation, empresa conveniada ao órgão que trabalha com previsões meteorológicas a longo prazo.
No fax enviado ao ministério, a empresa apontava o risco de um blecaute na região Centro-Sul do País e pedia que fossem tomadas providências. "Tendo o governo sido alertado, isso só torna o fato mais grave", declarou o senador.





