Rio, 22 (AE) - A defesa do coordenador da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no Rio, João Guilherme dos Santos Almeida Maia, apresentou hoje à Justiça Federal documentos que comprovariam seguidas tentativas dele de afastar o agente Temílson de Resende, o "Telmo", suspeito de ter posto o grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o advogado de Maia, José Carlos Tórtima, desde 1997, o coordenador da Abin vinha enviando ofícios a Brasília pedindo o desligamento do funcionário.
No depoimento prestado em juízo na semana passada, o ex-policial federal Célio Arêas da Rocha acusou Maia de, como amigo de "Telmo", ter conhecimento e envolvimento no grampo.
"Não existe nenhuma ligação mais íntima e pessoal entre eles, e João Guilherme conhecia o Telmo um pouco mais do que de vista", garantiu Tórtima, que informou que Maia pretende processar Rocha pela acusação.
Ele disse que foram três ofícios. O primeiro, de julho de 1997 - dois anos depois de "Telmo" ter sido denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por envolvimento na propina paga pelo jogo do bicho a policiais federais. No texto, Maia alegaria que não haveria mais condições de o agente permanecer no convívio do escritório regional da Abin. A resposta de Brasília teria sido a de que haveria problemas no afastamento porque "Telmo" tinha um cargo em comissão, e que Maia deveria reconsiderar o eu pedido. Tórtima não quis dizer quem respondeu aos ofícios, alegando tratar-se de documentos confidenciais. O superior imediato de Maia é o subsecretário de Inteligência, Ariel de Cunto. Num segundo ofício, em janeiro, o coordenador regional da Abin pediria novamento o afastamento do servidor, publicamente tido como suspeito do grampo no BNDES, dizendo que a imagem da instituição estava desgastada por conta do episódio.
Em 31 de agosto, Maia teria mandado novo ofício, pedindo a abertura de uma sindicância composta por pessoas que não pertencessem aos quadros da Abin, sobre uma suposta venda irregular de passaportes por "Telmo". A resposta foi a de que o agente deveria ser questionado por escrito.
Segundo fontes ligadas à investigação, quem respondeu a este ofício foi Cunto. O advogado garantiu que os ofícios não representam uma acusação a "Telmo". "Não temos razões para acusar Telmo de estar envolvido no grampo e, se está, fez isso de forma clandestina, sem o conhecimento de sua chefia", garantiu Tórtima. "Mas é que, desde o processo do bicho, a presença dele estava causando prejuízos à imagem da instituição." Maia está indiciado no inquérito do grampo no BNDES por falso testemunho - houve divergências entre o depoimento dele e o do ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso.

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