Coordenação afirma desconhecer denúncias
Emerson Cervi
De Curitiba
A coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desconhece as denúncias feitas ontem pelo coordenador geral da União Democrática Ruralista (UDR), Tarcísio Barbosa de Souza, que sem-terra estariam arrendando pastagens de uma fazenda ocupada e vendendo lotes em outro assentamento no noroeste do Estado. Não houve nenhuma informação oficial para o movimento a respeito desses fatos, mas todos sabem que somos contra o arrendamento de áreas agrícolas, disse Ireno Prochnov, um dos coordenadores estaduais do MST.
A UDR divulgou ontem que invasores da Fazenda Marília, em Colorado, estariam arrendando áreas de pastagem para engorda de gado. A fazenda foi considerada improdutiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Os proprietários recorreram à Justiça e a perícia constatou que a área era produtiva. Essa UDR de Paranavaí está tentando impedir o avanço da reforma agrária na região, por isso ficam criando fatos contra os sem-terra, afirmou Prochnov. Quando ocupamos uma fazenda é com o objetivo de agilizar a reforma agrária.
Outra denúncia feita pela UDR é de que, pelo menos, três assentados pelo Incra na Fazenda Monte Azul, município de Mirador, região noroeste, teriam vendido seus lotes por R$ 2,5 mil cada um. Segundo Prochnov, que disse desconhecer o fato, essas acusações são insignificantes quando comparadas com o número de assentados que continuam produzindo.
Existem quase 13 mil famílias assentadas no Paraná, é claro que podemos ter um ou outro problema, mas isso não é justificativa para tentarem barrar a reforma agrária. Prochnov lembra que, no Brasil, apenas 2% das famílias assentadas pelo Incra desistem de seus lotes.





