Brasília, 12 (AE) - O governo poderá alterar a resolução 2.619 do Banco Central, divulgada no último dia 7, que estabeleceu as normas para os bancos analisarem os projetos das cooperativas agropecuárias enquadradas no Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias (Recoop).
A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) reclamou da medida, alegando que ela não estaria compatível com o que foi anunciado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso durante o lançamento do programa há cerca de dois anos e com o que vinha sendo negociado entre o setor cooperativista e o governo.
A principal crítica da OCB à resolução é a definição de que o Tesouro Nacional só vai financiar 75% das dívidas totais das cooperativas, apuradas após negociação com os credores. "As cooperativas terão de dar uma contrapartida de 25%, o que praticamente inviabiliza o programa, pois este não era o acordo", argumenta o diretor-executivo da OCB, Valdir Colatto.
Ele explicou que as cartas das mais de 300 cooperativas aprovadas pelo comitê-executivo do Recoop deverão ser entregues amanhã (13) para que elas negociem as dívidas com os bancos e os projetos para investimentos, mas disse que a OCB quer que o governo respeite as "regras do jogo". "Se no programa especial de saneamento de ativos (Pesa) criado para a renegociação das dívidas rurais superiores a R$ 200 mil, os produtores não estão conseguindo pagar 10,37% do total, imagine se as cooperativas vão conseguir arcar com 25% dos débitos", avaliou Colatto.
O assessor do Ministério da Fazenda para a área agrícola
Gerardo Fontelles, disse que está analisando as críticas da OCB e vai conversar com o Tesouro sobre as mudanças. "Se a reclamação for procedente, há possibilidade de alteração da medida", disse.

mockup