Brasília, 28 (AE) - O diretor-superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Valdir Colatto, classificou hoje o plano agrícola 1999/2000 anunciado pelo governo de "sofrível". "O plano frustrou as expectativas, pois é pior que o sofrimento dos agricultores", disse. Segundo ele, estudos técnicos da OCB demonstram que a média de custo de produção agrícola é de R$ 625 por hectare, e para atingir a meta de 90 milhões de toneladas de grãos, seriam necessários R$ 25 bilhões, suficientes para financiar uma área plantada de quarenta milhões de hectares.
"Nós pedimos R$ 15 bilhões para o custeio porque sabemos que não adianta pedir o necessário, mas ficou muito abaixo". Colatto lembrou que o volume de recursos destinado ao custeio da safra pelo plano agrícola é de R$ 11 bilhões, e mesmo se este dinheiro for efetivamente liberado, "o que quase nunca acontece", o produtor terá de buscar mais financiamentos no mercado. "O ministro da Agricultura mais uma vez perdeu o round para a área econômica, pois apresentou propostas às entidades representativas dos produtores que não se concretizaram", avaliou.
Entre as medidas prometidas pelo ministro Francisco Turra que não foram autorizadas pelo governo, Colatto destacou o seguro agrícola, o aumento gradativo do IPI de máquinas e equipamentos que estava zerado há dois anos e chegará a 5% em dezembro e a redução das alíquotas de importação de fertilizantes.
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) também avalia que o plano agrícola anunciado pelo governo não atendeu às expectativas do setor rural brasileiro. "O volume de crédito é uma mera carta de intenções", disse o chefe do departamento de comércio exterior da CNA, Antônio Donizeti Beraldo, acrescentando que "nunca o que o governo anuncia é liberado". Segundo Beraldo, a produção agrícola poderá aumentar ou diminuir na safra 1999/2000, mas isto terá pouco a ver com as medidas do plano. "O plano não tem nada que mereça elogios, pois não há nenhum fator de estímulo à produção", avaliou. Ele destacou o aumento do IPI de zero para 5% e a manutenção das alíquotas de importação de fertilizantes como tens que podem prejudicar o produtor.
Beraldo reiterou a importância de o Banco Central voltar a divulgar as estatísticas do crédito rural, suspensas há três anos. "Sem as estatísticas, o governo fabrica os números que quiser", criticou. Na safra passada, de acordo com a CNA, não foram liberados nem R$ 5 bilhões para o custeio. Nas contas do governo, anunciadas pelo presidente Fernando Henrique, foram destinados R$ 7,6 bilhões para o custeio da safra 1998/1999, mesmo assim, volume bem inferior aos R$ 10 bilhões anunciados.

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