Cooperativas adiam protesto à espera de resposta sobre crédito
que participou da reunião, informou aos dirigentes que o BB não tem condições de concluir e aprovar todas as operações de empréstimos até o dia 31 de março, como havia sido previsto inicialmente. Segundo ele, isto se tornou impossível porque a situação das cooperativas é muito diversa, uma vez que algumas têm mais de 10 credores e outras tem dívidas enormes. Além disso, ele informou que depois da decisão do governo de bancar parte do risco até o montante de R$ 300 milhões dos financiamentos destinados a investimentos e capital de giro, o cuidado do BB deve ser redobrado. "O banco não vai descuidar do seu trabalho em função de pressões", disse ele. Ricardo Conceição disse que na reunião do dia 16 vai apresentar a lista de cooperativas que se enquadram nos riscos C, D e E e quantas não estão classificadas. Segundo ele, para as classificadas nas classes C e D o governo pode dividir o risco, embora a suas respectivas situações financeiras não sejam boas. Já no caso das enquadradas na categoria E, não há condições de bancar o risco, embora o governo ofereça "funding" para que os bancos cooperativos realizem esta operação. Para as classificadas como A e B não há problemas porque o risco é mínimo, informa. A intenção do BB é concluir o processo de implementação do Recoop o mais rápido possível. Para isso, segundo ele, a partir da próxima segunda-feira haverá um grupo de nove técnicos do banco que ficarão à disposição de todas as agências espalhadas pelo País, para auxiliar na finalização de análise dos processos. Segundo o diretor de Crédito Rural, das 249 cooperativas abrangidas pelo Recoop, 200 processos já foram analisados. Após esta análise e após o projeto de reestruturação haver sido considerado viável por uma junta especial do banco, as cooperativas passarão a ser chamadas para discutir a concessão do crédito. "Isso não quer dizer que todas vão receber o crédito", observa. Segundo ele, a confusão maior foi gerada porque as cooperativas entenderam, quando o Comitê coordenado pelo Ministério da Fazenda fez a análise para enquadramento no Recoop, que somente isso seria necessário para que recebessem os empréstimos. "Embora a Fazenda tivesse explicado que a concessão do crédito dependeria de uma análise do banco, ficou a idéia que o crédito poderia ser obtido diretamente", observa. O superintendente da OCB, Valdir Colatto, embora afirme que a situação ainda esteja muito estranha - porque o quadro ainda não está totalmente esclarecido -, explica que as cooperativas decidiram dar um voto de confiança ao governo porque esperam ver as operações de crédito liberadas. "O governo nos disse que, com a definição de critérios e a divisão do risco, os problemas serão resolvidos." Ele salientou, no entanto, que os dirigentes de bancos e representantes da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), com exceção do Banco do Brasil, não compareceram à reunião da última quarta-feira na Casa Civil. "Até agora nenhum representantes do Banco do Nordeste, por exemplo, compareceu às reuniões do Recoop", afirma, lembrando que existem inúmeras cooperativas no Nordeste candidatdas a financiamento para investimento e capital de giro.Por Gecy Belmonte Brasília, 10 (AE) - O superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Valdir Colatto, informou hoje que os dirigentes decidiram adiar para o dia 29 deste mês a manifestação que estava programada para o dia 15 próximo, com o objetivo de pressionar o governo a concluir a implementação do Programa de Revitalização de Cooperativas (Recoop). A decisão foi tomada após reunião com a Comissão Especial de Implementação do Recoop, coordenada pela Casa Civil da Presidência da República, na última quarta-feira. Conforme ele, o Banco do Brasil se comprometeu a informar, no dia 16 o número de cooperativas que estariam enquadradas nos critérios definidos pelo Ministério da Fazenda para ter o risco dos empréstimos bancados parcialmente pelo Tesouro Nacional. "Precisamos dar um voto de confiança", observou ele. O diretor de Crédito Rural do Banco do Brasil, Ricardo Conceição





