Cooperativa ligada ao MST enfrenta crise
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sábado, 02 de outubro de 1999
Por Luiz Carlos Lopes 
Teodoro Sampaio, SP, 03 (AE) - Com os salários de seus 12 funcionários atrasados há dois meses e o telefone celular de seu principal líder, José Rainha Júnior, cortado por falta de pagamento, a Cooperativa de Comercialização e Prestação de Serviços dos Assentados da Reforma Agrária do Pontal do Paranapanema (Cocamp) está enfrentando a pior crise financeira de sua existência. A cooperativa é o principal braço do Movimento dos Sem-Terra (MST) na região e foi criada em dezembro de 1994 para organizar a produção e promover o desenvolvimento das famílias contempladas com lotes da reforma agrária.
As dificuldades da Cocamp refletem a situação enfrentada pela maioria de seus 2.400 associados. Grande parte deles ainda espera a realização de projetos que viabilizem o aproveitamento econômico de suas glebas.
Para a maior parte das 1.300 famílias assentadas a partir do ano passado a situação é preocupante. De acordo com informações de suas lideranças, até agora elas não receberam financiamento dos órgãos responsáveis pela reforma agrária e continuam morando em barracos de lona, sem condições de plantar. Como assentadas, essas famílias perderam o direito às cestas básicas fornecidas pelo governo e muitas vezes sobrevivem de donativos.
Esmolas - "Tem gente passando fome e sendo obrigada a pedir esmolas", afirma Genivaldo de Souza Lima, um dos coordenadores do Assentamento Paulo Freire, instalado na antiga Fazenda Nhancá, em Mirante do Paranapanema.
José Rainha Júnior, que participa da Marcha Popular pelo Brasil, uma caminhada que deve chegar dia 7 a Brasília, só consegue falar com seus companheiros e familiares em Teodoro Sampaio quando está perto de um telefone público. O celular que tomou emprestado do gerente da Cocamp, Antônio Gomes Sobrinho, está cortado há cerca de duas semanas por falta de pagamento da conta de agosto, estimada em R$ 700,00 e ainda não quitada.
A situação é confirmada pelo presidente da Cocamp e um dos coordenadores do MST do Pontal, Walmir Rodrigues Chaves, o Bill. "Os telefones da cooperativa também estão atrasados."
Segundo Bill, as dificuldades são decorrentes do atraso na liberação de recursos para os assentamentos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). "Desde outubro do ano passado nenhuma linha de crédito foi liberada para a região", afirma. A cooperativa tem como uma de suas principais fontes de renda a participação de 2% dos recursos financiados para os assentados.
Na tentativa de contornar as dificuldades, a Cocamp já demitiu vários funcionários. Também entregou duas casas que alugava em Teodoro Sampaio e está funcionando no prédio que construiu para a instalação de uma despolpadeira de frutas.
Recursos - Consultado ontem pelo Estado, o diretor de programa do Ministério Extraordinário de Política Fundiária, Ludgero Monteiro Correia, não soube detalhar como está a situação específica da Cocam. Mas ressaltou que os recursos do Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf) já estão disponíveis nos bancos. Ele disse que foi depositado mais de R$ 1,5 bilhão para financiamento de custeio e investimento, tanto para recém-assentados como para pequenos produtores já estabelecidos.


