Cooperativa faz campanha para aumentar reciclagem
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sexta-feira, 14 de junho de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina A Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis e Resíduos Sólidos da Região Metropolitana de Londrina (Cooper Região) iniciou ontem uma campanha para incentivar os moradores a separarem o lixo. A entidade registrou uma queda de 30% no volume comercializado nos últimos dois meses.
A principal dificuldade enfrentada pelas cooperativas que recolhem os recicláveis em Londrina é a falta dos sacos plásticos verdes. A distribuição por parte da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) tem sido irregular e insuficiente.
"O objetivo é incentivar as pessoas a continuarem reciclando, independentemente se tem o saco verde ou não. Em qualquer sacolinha que o lixo for colocado nós vamos recolher", garantiu o presidente da Cooper Região, Zaqueo Vieira.
A Cooper Região, formada por 238 coletores, divididos em cinco entrepostos, é responsável pela coleta em 84 mil domicílios. "Vendemos, em média, entre 450 e 480 toneladas de materiais mensalmente. No último mês, o total foi de 430 toneladas", afirmou Vieira. "Quando não há os sacos verdes, as pessoas acham que a culpa é das cooperativas, que os coletores não vão passar. Mas os nossos coletores trabalham todos os dias."
Segundo a auxiliar da coordenação do entreposto Centro A da Cooper Região, na Vila Casoni (área central), Sara Porfírio Costa, a regional ficou quase um mês sem receber sacos plásticos da CMTU. "O que temos hoje deve durar umas duas semanas apenas. Antes recebíamos em grande quantidade, para três, quatro meses. Agora o nosso estoque é pequeno", criticou.
O entreposto que recolhe reciclados em 15 mil residências de bairros como Vila Yara, Recreio, Quebec e Gari, comercializava em média 120 toneladas por mês. No último mês, o volume não passou de 90 toneladas.
A coletora Vera Lúcia Evangelista, de 45 anos, ficou satisfeita com a receptividade por parte dos moradores. "Muitos gostaram da iniciativa e entenderam a importância da reciclagem. Este trabalho é essencial para nós e também para a natureza", frisou Vera, que trabalha há cinco anos como recicladora. Ela também sentiu na pele a queda no volume recolhido. "Teve dia que fomos embora às 10 horas, outros em que fomos ao meio-dia porque faltava material para recolher e separar. Menos mal que o salário não diminuiu muito."
A moradora da Vila Casoni, Elaine Santana, de 32 anos, garantiu que, mesmo com os problemas enfrentados pelo processo de coleta, ela continua separando os resíduos. "Às vezes acumulam dois ou três sacos em casa, mas não deixo de separar. Infelizmente tem muita gente que deixa de lado e isso acaba até virando um problema de saúde pública", apontou.
O diretor de Operações da CMTU, Gilmar Domingues, ressaltou que as falhas no processo de reciclagem de Londrina não estão apenas no repasse de sacos verdes. "Recebi hoje (ontem) de uma outra cooperativa um relatório que aponta que a demanda cresceu e que (eles) precisam de outro barracão para dar conta da triagem. O objetivo é encontrar todos os problemas para a melhora do serviço", frisou.
A CMTU disponibiliza R$ 100 mil mensais para a compra de sacos verdes. O dinheiro é suficiente para adquirir 263 mil unidades, 25% do que o município necessita. O gasto com a coleta seletiva chega a R$ 10 milhões ao ano. "Estamos com estudos para baratear este processo. Pretendemos também fazer campanhas de conscientização da população, mas para isso precisamos de recursos", relatou Domingues.
A campanha de conscientização da Cooper Região vai continuar na próxima semana. A meta é visitar todos os imóveis atendidos pela cooperativa.


