Sorocaba, SP, 12 (AE) - Depois de meses e até anos de desemprego, 60 trabalhadores do setor de construção civil de Sorocaba, incentivados pela Secretaria de Relações do Trabalho da prefeitura, decidiram montar uma cooperativa de mão-de-obra. A idéia nasceu durante um mutirão realizado por antigos sem-teto que obtiveram terrenos em um assentamento da prefeitura, para a construção de suas casas. "Éramos um grupo de desempregados, sem qualquer perspectiva de recolocação", contou o pintor Sebastião Gonçalves, de 45 anos. "Trabalhando juntos na construção das casas, percebemos que podíamos prestar o mesmo serviço para quem precisasse."
Dali à formação da Cooperativa de Trabalhos Múltiplos de Sorocaba (Cootrams) foi um passo. A prefeitura, carente de mão-de-obra para a restauração de prédios históricos, estimulou e treinou esse pessoal.
O primeiro contrato envolveu a restauração da Capela do Divino, marco do ciclo do tropeirismo na região, edificada em 1883 pelo português Antônio Porto. Dez cooperados, orientados por engenheiros da prefeitura e técnicos do patrimônio histórico
estão executando reformas nas paredes de alvenaria, madeiramento e telhado da igreja, que estava em ruínas. Outro grupo foi contratado para recuperar a Capela de São Judas Tadeu, que faz parte do conjunto arquitetônico do Mosteiro de São Bento
tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) do governo estadual.
Uma terceira equipe com dez homens está trabalhando na restauração do antigo Matadouro Municipal, datado de 1928. O prédio, em estilo inglês, com paredes de tijolos aparentes, portas e janelas em arco, foi considerado de interesse arquitetônico pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do município. A prefeitura pretende transformar o local em um centro de cultura.
Os cooperados recebem entre R$ 260,00 e R$ 350,00 por mês de salário, conforme a função, mais cesta básica, vale-transporte e vale-refeição, o que resulta em um ganho de até R$ 450,00 mensais. Esses valores são livres do Imposto sobre Serviços (ISS) e da contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que são descontados pela cooperativa.
O ajudante de carpintaria Antônio Olindo dos Santos, de 45 anos, está satisfeito com sua condição de cooperado. "Fiquei oito meses desempregado e quase entrei em desespero", contou. "Agora não tem faltado trabalho."

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