Ribeirão Preto, SP, 23 (AE) - As 28 cooperativas de leite do Estado de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, que formam a Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo (CCLSP)
estão programando a criação, até o final do ano, de uma S.A. para unificar todo o sistema de transformação e comercialização do leite. Com a junção, a cooperativa, que processa um milhão de litros por dia atualmente, passaria para três milhões diariamente, tornando-se mais competitiva, já que as multinacionais existentes hoje no País, Nestlé e Parmalat, processam respectivamente 4 milhões e 3,2 milhões de litros ao dia.
Segundo Almir José Meireles, diretor da cooperativa central, a intenção é tornar as cooperativas mais competitivas para que possam enfrentar o leite importado da Argentina e também possam alcançar o padrão de qualidade do leite europeu até 2008. "Temos metas iniciais fixadas, mas ainda falta estabelecer quem entra com o quê, quem faz o quê e até quem pode crescer mais ou crescer menos", disse ele, afirmando que existe um alto grau de distanciamento entre o nível de qualificação das cooperativas.
Ele acredita que será possível reduzir, com a logística de localização das unidades industriais e de distribuição, até 20% do custo de produção. Segundo o diretor, as cooperativas continuarão organizando a produção e a coleta junto aos associados, fornecendo assistência técnica e insumos, como adubos e ração, e as mudanças ficarão por conta apenas da quantidade de indústrias de beneficiamento do leite. Hoje existem 30 unidades industriais nos três Estados, e a meta é reduzir este número inicialmente a seis. Já as 20 fábricas de queijo deverão se transformar em apenas uma e as 38 marcas chegariam a três. "Com isso acabamos com a concorrência entre as cooperativas e damos fôlego aos cooperados que já não aguentam o preço do frete e a concorrência do produto argentino.
Produção - Um dos exemplos da crise que o setor atravessa é a Cooperativa de Laticínios de Batatais (Colaba), que já produziu 120 mil litros de leite por dia e hoje não passa dos 20 mil litros diários. Além disso, a cooperativa viu o número de associados ser reduzido num período de cinco anos de 1.100 para 320.
No ano passado, a Usina Açucareira Batatais foi uma das últimas a abandonar o setor, depois de 12 anos de investimentos. A usina vendeu a criação de 166 cabeças de gado leiteiro e a estrutura que tinha para a produção do leite e desistiu do setor.
O presidente da Colaba, Geraldo Pupin, diz que a cooperativa só não fechou porque fez parceria com a Laticínios Mococa para o desenvolvimento de uma linha de doces com produção de 100 toneladas por mês. "Foi mais que uma saída, foi a salvação", disse Pupin. Segundo ele, o grande vilão foi o leite em caixinha vindo da Argentina, que chega ao mercado brasileiro a R$ 0,68, enquanto o custo de produção do leite no interior do Estado varia entre R$ 0,40 a R$ 0,74.
Somente no ano passado o Brasil importou da Argentina 1 bilhão de litros. O leite argentino, segundo ele, leva vantagem sobre o brasileiro porque é importado da Nova Zelândia, com subsídios, e exportado para o Mercosul por um custo mais baixo.

mockup