Valmir Denardin

Arquivo FolhaCooperativa deve evitar que o sacoleiro viaje, importando produtos diretamente dos fabricantesA primeira cooperativa de sacoleiros do Brasil, cuja sede será em Foz do Iguaçu, deverá entrar em funcionamento em março. A previsão é de Walter de Barros Negrão, idealizador da entidade. A criação da cooperativa deverá estar formalizada em cerca de três meses.
O principal objetivo da Cooperativa Nacional de Importação e Exportação dos Sacoleiros do Brasil (Conaimexabra) é tirar da informalidade os cerca de 8 milhões de sacoleiros em atividade atualmente no Brasil. ‘‘A prática de comprar mercadorias no exterior para revender é ilegal porque isso, teoricamente, só é permitido para o consumo próprio’’, alerta Negrão. Mas uma grande parcela desses milhões de brasileiros diariamente cruza as fronteiras do País, principalmente em direção a Ciudad del Este, no Paraguai, para comprar produtos para revender.
A criação da cooperativa pretende evitar que o sacoleiro tenha que viajar para o exterior. O objetivo é importar as mercadorias diretamente dos centros produtores em todo o mundo, pagando o Imposto de Importação (II) e revendê-las diretamente aos sacoleiros brasileiros, que viriam a Foz do Iguaçu fazer suas compras. ‘‘A principal diferença é que tudo estará legalizado’’, explica Negrão.
Segundo ele, a criação da entidade vai beneficiar os sacoleiros e o governo brasileiro, devido ao aumento na arrecadação de impostos. Levantamento feito pela própria Associação Brasileira de Sacoleiros (ABS) - da qual Negrão é integrante - mostra que a evasão fiscal decorrente da falta de pagamento do Imposto de Importação pelos sacoleiros na fronteira Brasil-Paraguai atinge cerca de US$ 270 milhões por mês.
Ney de SouzaWalter Negrão: tudo dentro da leiSacoleiros
A criação da Conaimexabra está sendo assessorada pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) e pelo Departamento Nacional de Cooperativismo (Denacoop), do Banco do Brasil. Pagando uma taxa de R$ 70,00, os sacoleiros de qualquer cidade brasileira poderão se associar à cooperativa.
De acordo com Negrão, o dinheiro da taxa de filiação será usado na estruturação da sede da cooperativa e na compra dos produtos no exterior. A entidade também tentará obter financiamento junto aos bancos oficiais para essa segunda operação. Outra bandeira da cooperativa é a redução do II em suas compras - dos atuais 50% do valor de cada mercadoria para 30%. O objetivo inicial é reunir 500 mil filiados.
Na opinião do idealizador da cooperativa, a entidade não vai representar o fim do comércio de Ciudad del Este, que hoje abastece a maioria dos sacoleiros brasileiros. Isso porque os produtos comprados pela cooperativa não poderão ultrapassar o valor máximo unitário de US$ 120,00. ‘‘O turista e o próprio sacoleiro continuarão comprando os produtos com preços acima desse valor no Paraguai, pagando o imposto na aduana’’, prevê.

mockup