Londrina – Um grupo de catadores dissidentes denunciou a existência de funcionários "fantasmas" na Cooperativa dos Profissionais de Reciclagem (Coocepeve). "São pelo menos 10 pessoas que recebem sem estar na cooperativa. A gente sabe que essas pessoas trabalham com registro, com carteira assinada, em outros lugares", revelou o catador Francisco Caetano Bitencourt.
A Coocepeve é uma das quatro cooperativas prestadoras de serviço da Prefeitura de Londrina. O contrato mensal gira em torno de R$ 210 mil para recolhimento e triagem do lixo reciclável produzido em 55 mil domicílios.
Bitencourt é coordenador de um dos nove entrepostos da Coocepeve. O grupo dissidente também denuncia irregularidades na distribuição dos dividendos e prestação de contas.
"Desde que esse contrato foi assinado com a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) a gente nunca recebeu uma prestação de contas. A gente não tem ideia de quanto entra ou sai da cooperativa. O material que a gente recebe é bastante castigado e gera pouco. Neste último mês tiramos apenas R$ 350 cada", reclamou Bitencourt.
Denúncias semelhantes foram feitas ontem por outros coordenadores de entrepostos da Coocepeve. "É muito confuso, a gente pede explicações e não encontramos, temos que fazer nosso próprio salário e não há transparência alguma", reclamou o catador Marcelo Lopes.
A CMTU notificou a Coocepeve no mês passado. O órgão pediu a apresentação de relatórios da infraestrutura, de produção, demonstrativo da planilha de rateio e fluxograma da estrutura diretiva. "Não houve resposta. Vamos dar nova oportunidade para a cooperativa. Estamos verificando todas as denúncias para comprovação da veracidade", explicou o diretor de Operações, Gilmar Domingues. A presidente da Coocepeve, Sandra Araújo, foi procurada ontem pela FOLHA. Porém, seu celular estava desligado.

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