Paloma Pereira Antônio percebe diferença de tratamento em serviços de saúde particulares, na escola e no acesso ao emprego
Paloma Pereira Antônio percebe diferença de tratamento em serviços de saúde particulares, na escola e no acesso ao emprego | Foto: Marcos Zanuto



A estudante de Ciências Sociais Paloma Pereira Antônio, de 23 anos, conhece bem a desigualdade racial brasileira apontada pela pesquisa do IPEA. "Convivo com o racismo velado desde a infância", analisa ela, que percebe diferença de tratamento em serviços de saúde particulares, na escola e no acesso ao emprego.

"Os estudantes negros são sempre esquecidos no fundo da sala e isso afeta bastante o desenvolvimento. Eu mesma não conseguia me relacionar bem, falar em público e conhecer pessoas. Passei a gostar de ler justamente porque era muito retraída", recorda.

Piadas sobre cabelo, corpo e a aparência eram recorrentes. Uma das lembranças da infância é a professora que penteava o cabelo da maioria das meninas, mas nunca se oferecia para arrumar o cabelo de Paloma. "O ambiente escolar passa a ser visto como um lugar em que a criança não é bem-vinda e isto dificulta", expõe.

A estudante já enfrentou preconceito também no ambiente de trabalho. "Concorri a vagas para as quais acreditava ser a pessoa mais qualificada e nunca tive retorno. As pessoas não acreditam na capacidade dos negros", denuncia, lembrando que isto interfere no acesso à renda.

Para ela, o Brasil não incluiu os negros na sociedade e, ao invés de reparar esse erro, continua perpetuando a segregação. "Existem políticas de inclusão, mas nem toda a sociedade aceita. Há muitas falhas a serem reparadas", considera. (C.A.)

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