Porto Velho- A Congregação Pentecostal Rei Jesus, fundada há dois anos em um dos mais violentos presídios da região amazônica, o Urso Branco, começa a construir seu primeiro templo fora dos muros de 4 metros de altura da prisão. A obra está sendo possível porque 4 dos 12 pastores, todos convertidos no período em que cumpriam pena, foram colocados em liberdade condicional e estão conseguindo doações. A primeira delas foi a de um terreno na cidade.
O Urso Branco, em Porto Velho, já foi palco de sangrentas rebeliões. A última foi há uma semana, mas a mais violenta aconteceu em abril de 2004, quando 14 presos foram assassinados e seus corpos, esquartejados, jogados de cima da caixa d'água.
''Mesmo em um lugar considerado o inferno, é possível encontrar Deus. Eu ajudei a negociar a fim daquela revolta'', disse o empresário José Juvenil Coelho, de 42 anos, um dos fundadores da igreja. Coelho, dono de um instituto de pesquisa, obteve a liberdade condicional há seis meses, depois de ficar dois anos no presídio por tráfico de drogas.
''Na vida que eu levava, o caminho era a cadeia mesmo. Muitos estranham meu jeito agora, porque aconteceu uma transformação. No Urso Branco, ou o apenado se encontra com Deus ou não muda a vida de jeito nenhum.''
Coelho contou que se mudou para Rondônia depois de levar três tiros em Roraima, onde ganhou muito dinheiro divulgando pesquisas sobre a aceitação de políticos. Em Porto Velho, vendeu um ônibus de um policial militar e não entregou o dinheiro. O soldado enganado levantou a ficha criminal de Coelho, viu que havia condenação por tráfico e o levou para a delegacia no dia em que ele promoveria uma festa para entregar diplomas a celebridades de Rondônia. De lá, foi encaminhado ao Urso Branco.
Apesar de estar em liberdade condicional, Coelho volta ao presídio todos os domingos. Dentro dos muros do Urso Branco, está o único templo de sua congregação e domingo é dia de culto. ''E este será especial para mim, porque eu é que vou celebrar. É gratificante voltar ao lugar onde fui tocado por Deus. E isso aconteceu justamente depois de uma das rebeliões no Urso Branco.''
A meta dos quatro pastores que estão em liberdade condicional é terminar a construção do templo o mais rápido possível, para atender os detentos que forem saindo do Urso Branco e também fiéis que nunca tenham sido encarcerados. Segundo Coelho, outros templos deverão ser erguidos posteriormente.

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