Convênios com sem-terra podem ser renovados
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terça-feira, 24 de abril de 2001
Israel ReinsteinDe Curitiba 
Uma reunião hoje em Brasília entre a direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Ouvidoria Agrária Nacional pode levar à renovação dos contratos das cooperativas de sem-terra com o governo federal. Suspensos desde maio do ano passado, quando surgiram acusações de má utilização de verbas para assentamentos, a renovação desses contratos volta à mesa, de maneira silenciosa.
De acordo com o ouvidor agrário, Gercino José da Silva Filho, o assunto vai ser posto em discussão no Grupo Permanente de Negociação dos Movimentos Sociais. Silva Filho acredita que há clima para retomar esses contratos, que permitiam pagar técnicos para auxiliar os sem-terras. Esse é um dos temas da discussão, que abrange negociações de âmbito nacional para a reforma agrária, disse.
A interrupção dos convênios aconteceu depois de denúncias de desvios no Paraná. Na época, cogitou-se que R$ 4 milhões dos recursos foram desviados das mãos dos assentados de seis acampamentos de Nova Laranjeiras, na região Sul, e de Bituruna, região Oeste. Nos dois assentamentos vivem 600 trabalhadores ligados ao MST.
As primeiras denúncias sobre desvios de financiamentos pelo MST surgiram na Cooperativa dos Trabalhadores Rurais e Reforma Agrária do Centro-Oeste do Paraná (Coagri), no município de Nova Laranjeiras. A acusação era que 3% dos recursos era pagos em forma de pedágio, além de supostos descontos na compra de material para os assentamentos. A Polícia Federal está apurando o caso.
A cooperativa deveria receber R$ 15,8 milhões para repassar aos assentados. A pressão exercida pela liderança dos sem-terra teria resultado em cobrança ilegal que chega a 3% sobre todos os créditos e a 20% sobre compras em supermercados e no comércio da região sob controle do MST.


