Convênio firmado para combater tráfico de bens culturais já resultou na prisão de 4 pessoas
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terça-feira, 02 de março de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 02 (AE) - O convênio entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Polícia Federal, firmado no ano passado para combater o tráfico ilícito de bens culturais, já resultou na prisão de quatro pessoas e o indiciamento de outras seis, além da recuperação de 37 peças - a maioria imagens sacras, roubadas de sítios históricos e igrejas em todo o País, segundo balanço divulgado pelo instituto. As investigações ainda continuam e, por isso, a PF não divulga os nomes dos envolvidos, que fariam parte de uma máfia especializada nesse tipo de roubo.
Segundo técnicos do Iphan, algumas obras são datadas do século 17 e têm preços que variam entre R$ 2 mil a R$ 30 mil no mercado negro. É o caso das imagens de São José de Botas, Nossa Senhora das Dores e Santa Rosa de Lima, encontradas em um feira de antiguidades de São Paulo, durante uma operação da PF no ano passado. Entre os objetos recuperados, estão ainda três castiçais e um crucifixo, do século 19, roubados da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, na Praça 15, centro do Rio, em 1993, juntamente com outras 266 peças - foi o maior saque a um templo registrado no Brasil.
Os policiais conseguiram também reencontrar quatro peças roubadas há 15 anos da Igreja de Mambucada, em Angra dos Reis, no litoral fluminense. Entre elas, estão a imagem de Santana Mestra e uma âmbula (cálice de hóstia), do século 18. Ainda assim, segundo a diretora do Departamento de Identificação e Documentação do Iphan, Célia Corsino, 744 peças permanecem desaparecidas. Cooperação - A parceria entre o Iphan e a PF só foi firmada em setembro de 1998, mas a cooperação informal entre as duas instituições já acontecia desde meados de 1997. De acordo com técnicos do Iphan, desde maio de 1998 não é registrado nenhum roubo de bens culturais, o que demonstra a retração do mercado em função da ação policial. As apreensões feitas depois dessa data são referentes a furtos anteriores.
Segundo agentes da PF, quando uma peça é roubada, os ladrões a escondem durante um longo período de tempo, normalmente a enterram, para "esfriá-la". Depois, a peça é vendida a preço baixo para atravessadores, que repassam aos grandes mercados de arte, podendo alcançar até R$ 120 mil. As mais valorizadas são as imagens sacras barrocas. Com base nas apreensões e nas prisões já feitas, a polícia investiga a existência de quadrilhas especializadas no roubo de objetos de arte sacra. De todas as peças recuperadas, apenas oito estavam registradas no cadastro do Iphan. Isso acontece porque o cadastramento das obras ainda não foi concluído e também porque muitas das peças não têm tombamento federal, mas sim estadual e municipal.
"Conseguimos terminar o cadastro de Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Paraná, Santa Catarina, Pará, Goiás e Tocantins", explicou Célia, lembrando que nos demais Estados o trabalho continua. "O cadastramento é muito importante para que possamos identificar as peças e saber de onde elas foram furtadas".
Parte do cadastro está disponível desde outubro do ano passado na página do Iphan na Internet (www.iphan.gov.br).


