Convênio é pendência para MST
Emerson Cervi
De Curitiba
Ainda não há previsão de acordo entre governo do Estado e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) quanto aos convênios na área de educação, energia elétrica para assentamentos e liberação de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O governo nunca fechou as portas para estas questões. Há menos de uma semana tivemos uma reunião, apresentamos propostas para todos os convênios e os sem-terra não aceitaram, afirmou o assessor para assuntos fundiários do governo, Antonio Carlos da Costa Coelho.
Uma das exigências do MST para levantar o acampamento montado há mais de quatro meses na Praça Nossa Senhora Salete, em frente ao Palácio Iguaçu, é a retomada de todos os convênios, que estão paralisados há seis meses. Foi oferecido tudo o que tínhamos para dar e mesmo assim eles não aceitaram, afirmou o assessor.
A única proposta aceita pelo MST, segundo Coelho, foi para retomada do convênio de parte da assistência técnica. O governo concordou em repassar R$ 700 mil no próximo ano à Cooperativa Central de Reforma Agrária (CCA), representantes jurídico do MST, para pagamento dos salários de 23 agrônomos e dois técnicos agrícolas que prestam assistência em alguns assentamentos. No restante o governo pretendia ceder técnicos da Emater para a assistência técnica, mas eles não querem. Os sem-terra preferem o repasse de dinheiro ao invés dos funcionários estaduais.
O maior impasse para o próximo ano continua sendo o convênio na área de educação. Se não houver um acordo nos próximos meses os assentados em idade escolar podem ficar sem aulas em 2000. A proposta do governo previa o repasse de recursos para a Pastoral da Criança, que prestaria serviços nos assentamentos. Nas áreas onde a entidade não pudesse atender, a Secretaria de Educação cederia os professores. Mas os sem-terra não concordaram porque dizem que esses profissionais não se adequam ao sistema de ensino deles. Os custos totais desse convênio giram em torno de R$ 240 mil.
A implantação das redes de energia elétrica nos assentamentos depende de um projeto da Eletrobrás e está previsto para o próximo ano. A direção do MST informou ontem que os termos apresentados pelo governo não são suficientes para a assinatura dos convênios.





