Convenção protege baleias, tartarugas e elefantes, mas exclui tubarões
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Liana John 
São Paulo, 20 (AE) - Terminou hoje, em Nairóbi, no Quênia, a reunião da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Flora e da Fauna, Cites. O encontro de autoridades de cerca de 150 países para decidir a proteção e o comércio internacional de produtos derivados da fauna e flora foi marcado, novamente, por votações apertadas e muita pressão dos grupos ambientalistas Greenpeace, Fundo Mundial para a Natureza (WWF), União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e Fundo Mundial para o Bem-Estar dos Animais (IFAW), entre outros.
Baleias e tartarugas continuam protegidos no Apêndice I, uma lista que proíbe qualquer tipo de comércio internacional de produtos derivados destas espécies. A decisão frustra as intenções do Japão e da Noruega de reabrir a caça às baleias e de Cuba e Dominica, de exportar objetos feitos com casco da tartaruga-de-pente.
"A análise da maioria das instituições ambientalistas presentes em Nairóbi é de que a tentativa japonesa de ganhar votos através da "compra" de países caribenhos em troca de ajuda financeira - as ilhas de Saint Lucia, St.Vincent, Grenada e St. Kitts votaram em bloco com o Japão durante toda a reunião - e da pressão sobre outros pequenos países em desenvolvimento esbarrou no descontentamento da imensa maioria dos países da Cites com este tipo de tática", afirma o brasileiro José Truda Palazzo, especialista em baleias franca. "As decisões da Cites são um claro sinal de que dinheiro não basta ao Japão para garantir seu acesso, antes quase irrestrito, às riquezas naturais de outros países, e que a comunidade internacional prefere aderir aos princípios conservacionistas em vez do lucro fácil das "ajudas econômicas" japonesas".
Como as baleias e tartarugas, a situação dos elefantes se manteve: os elefantes de Botsuana, Namíbia, áfrica do Sul e Zimbábue continuam no Apêndice 2, que permite comércio do marfim com restrições e controle, e os elefantes dos demais países africanos continuam no Apêndice 1, mas será feito um levantamento sobre suas populações e número de incidentes com traficantes de marfim para servir de base à próxima reunião da Cites, em dois anos e meio.
Nova proteção - As espécies cujas situação se agravou e que passam a ser protegidas no Apêndice 1 são a vaca marinha da Austrália; os periquitos-de-chifre da Nova Caledônia; o celacanto, um peixe considerado fóssil-vivo, que habita os mares profundos próximos a Madagascar e uma espécie de macaco arborícola da Argentina. No Apêndice 2 entraram também três espécies de animais e duas plantas: as tartarugas-caixa da ásia; um pássaro canoro da China, chamado hwamei; um sapo venenoso da Malásia; um erva de regiões desérticas o cistanche e o ginseng asiático, largamente utilizado como remédio anti-stress e fortificante.
Ficaram de fora das listas da Cites as três espécies de tubarão, cuja inclusão foi defendida pelos Estados Unidos e Austrália: o tubarão-branco, o tubarão-baleia e o tubarão gigante dos mares do Norte. São as três espécies de maior tamanho, naturalmente mais raras e classificadas como vulneráveis no livro vermelho das espécies ameaçadas, organizado pela UICN. Por serem grandes, crescem devagar, atingem a maturidade após muitos anos e produzem poucos filhotes. Essas características dificultam sua recuperação diante da exploração irracional. Além da carne, comercializam-se os dentes e as barbatanas dos tubarões, consideradas uma iguaria nos países asiáticos.


