O missionário Miranda Leal conseguiu reunir cerca de 50 pessoas ontem em Maringá, durante abertura da convenção de sua nova igreja, a ‘‘Jerusalém de Deus’’. O evento termina hoje no Cine-Teatro Plaza, que tem capacidade para 680 pessoas sentadas. Antes de abrir a convenção Miranda Leal criticou a reportagem publicada na edição de ontem da Folha. ‘‘As palavras que estão aqui amanhã estarão velhas, mas a palavra de Jesus é viva’’, afirmou.
A mulher dele, Saline Atie Ramos, disse à Folha que Miranda Leal não gostou de ser chamado de ‘‘filho pródigo’’, e ainda que ele não pediu perdão por nada que fez. O primeiro ato da convenção foi uma reunião com os pastores e obreiros. Apesar de pedir para desligar o som do teatro, foi possível ouvir que a reunião tratou que questões financeiras da igreja.
Mirandal Leal pediu aos pastores se poderia perdoar um valor de R$ 103 mil. Todos responderam que não. ‘‘Não suporto mais traição. Chegou no limite máximo’’, afirmou o missionário. Ele disse à Folha que já está com mais de 40 templos da nova igreja por quase todo país e na Argentina, e que não aplica dinheiro prórpio. ‘‘As igrejas se mantêm com recursos próprios’’, garantiu.
Miranda Leal afirmou ainda que desejava encher o cine-teatro ainda ontem. Na platéia apenas 12 pessoas aguardavam o início da convenção. ‘‘Se encher ou não eu digo amém’’, disparou. Depois de alguns hinos, cantados por pastores, o missionário chamou ao palco alguns fiéis para narrar milagres. A primeira, que se identificou como Rosa, de Londrina, disse que ficou curado de um câncer na barriga, e que a filha de 12 anos, depois de morta, ressuscitou quando a irmã colocou um aparelho de rádio que transmitia um programa da igreja no peito dela.
Nas conversas com os fiéis e pastores ele não fala sobre a Só o Senhor é Deus, que ele dirigiu por 25 anos e que ontem também realizava convenção no Ginásio de Esportes Chico Neto. Alguns pastores, que não deram o nome, garantem que a Só o Senhor é Deus ainda atrai pessoas de fora. ‘‘Aqui na cidade temos mais seguidores que eles’’, afirmou um dos fiéis de Miranda Leal. Para a Folha, o missionário criticou diramente os atuais dirigentes da antiga igreja.
‘‘Grande parte das pessoas que estão lá ficam em cima do muro’’, garantiu. Ele garante que sofreu perseguição dos dirigentes da Só o Senhor é Deus, mas vai voltar sem força ou violência. ‘‘As pessoas estão vendo os atos errados deles’’, alfinetou. Segundo Miranda Leal os atuais dirigentes da antiga igreja chegaram a derrubar o púlpito, mudaram uma série de tradições e podem até ‘‘mudar o nome da igreja’’. O missionário continua também defendendo o arrebatamento, que ele previa acontecer no final de 1999. ‘‘Errei como centenas de outros pastores, mas o dia virá.’’

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