São Paulo, 08 (AE) - O Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) interditou hoje de manhã a Catedral da Sé, no centro de São Paulo, alegando perigo de desabamento de parte do teto.
Segundo o diretor do Contru, Carlos Alberto Venturelli, a Cúria Metropolitana, responsável pela catedral, não realizou as obras de reformas prometidas ao órgão em março. O prazo para a reforma venceu no dia 30 de junho.
No fim da tarde, Venturelli voltou à catedral e fez uma nova vistoria, a fim de determinar ações imediatas para eliminar o risco e possibilitar a reabertura da igreja. De acordo com ele, para que a igreja seja liberada será necessário retirar tijolos e blocos que estão soltos e proteger o restante com telas. Também devem ser eliminados os vazamentos. "A catedral só será desinterditada quando for descaracterizado o risco."
A interdição surpreendeu o cônego José Pedro dos Santos, pároco da catedral. "Eles não avisaram que viriam hoje" afirmou. O cônego confirmou os problemas na estrutura do prédio, com infiltrações e rachaduras, mas afirmou que não imaginava algum risco iminente. "Por um lado, mas por outro não queremos pôr vidas em risco."
Em dezembro do ano passado, um tijolo da abóbada despencou durante um culto, sem ferir ninguém. Uma tela de proteção foi colocada para evitar que novos pedaços do teto caíssem. Segundo o diretor do Contru, isso não foi suficiente.
A Catedral da Sé foi inaugurada em 1954 sem que seu projeto fosse concluído. Segundo o cônego José Pedro dos Santos, a demora na construção e a paralisação das obras foram os responsáveis pelos problemas que a igreja enfrenta hoje. Segundo ele, há cinco anos, a Cúria Metropolitana vem tentando levantar fundos para a conclusão do projeto. Os gastos previstos são de R$ 10 milhões.
Informado da interdição, o cardeal arcebispo de São Paulo, d. Claudio Hummes, telefonou ao prefeito Celso Pitta pedindo uma nova vistoria e a verificação da possibilidade de uma reabertura parcial. O prefeito solicitou ao Contru uma nova vistoria, que resultou no acordo sobre as reformas que serão necessárias.
Fiéis habituais surpreenderam-se com a interdição. "Venho sempre aqui e nunca reparei em nenhum problema", afirmou o vigia Mauro Pereira, de 31 anos, que esteve hoje à tarde na igreja e não conseguiu entrar.
As três missas diárias na Catedral da Sé atraem em média 150 pessoas durante a semana. Aos domingos, quando há seis missas ao longo do dia, a igreja chega a receber até 2.500 pessoas.

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