Contru tira padre Marcelo Rossi de festa no sambódromo
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quarta-feira, 29 de dezembro de 1999
Por Roldão Arruda 
São Paulo, 28 (AE) - Um alerta do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) da Prefeitura reabriu hoje a disputa entre emissoras de TV pelo "passe" do padre Marcelo Rossi nas festas da passagem do ano. Um dia após o padre ter confirmado que participaria da festa O Samba Pede Paz - promovida pela Liga das Escolas de Samba com apoio da Rede Globo -, o diretor do Contru, Carlos Alberto Venturelli, advertiu os organizadores de que ela não poderá ser realizada no sambódromo, por falta de estrutura para o "megaevento".
Após a advertência, o presidente da Liga, Sólon Tadeu Pereira, pediu ao padre que não vá à festa. "Nos vemos obrigados a declinar da presença do padre Marcelo Rossi, lembrando que o evento O Samba Pede Paz foi programado para o público amante do samba e do pagode", disse, num ofício enviado hoje à direção da Globo.
Com isso, fica aberta a possibilidade de o padre participar da festa promovida pela TV Bandeirantes, com apoio da Prefeitura, na Avenida Paulista. Os organizadores querem que ele faça a contagem regressiva na virada de 2000. O assunto foi exaustivamente discutido hoje pelas diversas partes interessadas. Até o início da noite, o padre ainda não dera sua palavra final.
O diretor do Contru disse que a festa da Liga foi organizada para um público limitado, com distribuição de convites. A situação mudou depois que a Globo decidiu apoiar o evento. Segundo ele, a presença do padre está sendo anunciada pela TV, o que poderá transformar a festa num megavento. "Não foi preparado esquema de segurança para isso, o que torna temerária sua realização."
Simulação - Venturelli também explicou que o Contru começou a vistoriar a organização da festa da Paulista há três meses. "Os organizadores seguiram todas as recomendações e até simulamos situações de emergência." Ele lembrou que a Igreja Universal do Reino de Deus, que promoverá a festa da passagem de ano no Ibirapuera, com o apoio da Rede Record, avisou o Contru há um mês. "Verificamos as condições de segurança e autorizamos o evento".
Para mostrar a necessidade de controlar detalhes de festas para multidões, Venturelli afirmou que a torre erguida na Paulista está sendo iluminada por 30 mil lâmpadas incandescentes. "A energia que consomem é semelhante à usada por 1 milhão de lâmpadas comuns", disse. "Não podemos permitir que elas sejam ligadas sem o apoio de pessoas preparadas para qualquer emergência."


