Contru responsabiliza moradores e Eletropaulo pela tragédia na Favela do Morro da Lua2/Mar, 21:36 Por Valéria Rossi São Paulo, 02 (AE) - Técnicos do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) estiveram hoje na Favela do Morro da Lua, no Jardim São Roque, zona sul, e apontaram, numa pré-avaliação, que a Eletropaulo e os próprios moradores do local são responsáveis pelo acidente, que resultou na morte de 12 pessoas. Elas foram soterradas após o deslizamento de uma encosta, provocado pelo temporal de segunda-feira. O diretor do Contru, Carlos Alberto Venturelli, esteve no local acompanhado por 16 engenheiros, a pedido do prefeito Celso Pitta (PTN). A comissão contestou o laudo apresentado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que atribuiu a responsabilidade do acidente à falta de manutenção no sistema de drenagem, próximo de uma escola municipal construída no topo do morro, que estava obstruído. Venturelli disse que o objetivo da comissão é apurar os responsáveis pela tragédia. No fim da tarde, a comissão divulgou um laudo preliminar que isentava a Prefeitura e responsabilizava a Eletropaulo e os moradores do Morro da Lua. Segundo as avaliações do Contru, a obra da escola está regular. "O desmatamento, a mudança do terreno com a invasão dos moradores, obstrução da rede e a falta de monitoramento da área pela Eletropaulo provocaram o acidente". Prefeitura - Indagado sobre a responsabilidade da Prefeitura pela limpeza da rede, Venturrelli, defendeu a administração: "Teríamos de fazer a manutenção, mas como?; A rede é interligada e tem muitos barracos sobre as obras". Segundo ele, a rede foi construída em 95: "Mas não sei há quanto tempo não era limpa". O diretor acrescentou que a Prefeitura previu a tragédia em agosto de 99, quando esteve na área. No ano passado, a Prefeitura notificou a Eletropaulo e os moradores sobre os riscos. "Como se não bastasse, registramos um boletim de ocorrência por desobediência dos moradores, que não quiseram sair do local". Ele afirmou que a Justiça também foi comunicada. "Ninguém fez nada; agora, não podemos levar a culpa". O geólogo do IPT, Eduardo Macedo, disse que a rede de drenagem estava feita a céu aberto e entupida. "Se tivesse manutenção, o acidente poderia ter sido evitado", observou Macedo. A sssessoria de Imprensa da Eletropaulo informou que a empresa iria consultar o Departamento Jurídico, para depois pronunciar-se. Capelinha - O Contru também esteve na Favela do Jardim Capelinha onde chegou à mesma conclusão, apesar, de a favela não ter rede de drenagem de águas pluviais.