São Paulo, 11 (AE) - Não é apenas a segurança dos fiéis que frequentam o santuário improvisado pelo padre Marcelo Rossi que preocupa as autoridades. Pelas contas da Secretaria Municipal de Habitação, existem 4 mil templos religiosos na cidade (isso é mais do que o dobro do número de postos de gasolina, que somam 1.900). Na opinião de técnicos do Contru, parte desses locais não oferece condições adequadas de segurança para os fiéis.
De acordo com o diretor do Contru, Carlos Alberto Venturelli, os maiores riscos estão nos locais adaptados para abrigar templos, como antigos cinemas, danceterias, lojas. "Um edifício projetado para abrigar a platéia de um filme, que fica sentada e em silêncio, pode não suportar a ressonância de um culto religioso, com milhares de pessoas cantando, batendo palmas e pulando", exemplificou.
Na opinião do engenheiro, essa foi a causa do acidente verificado em setembro do ano passado, num dos templos da Igreja Universal do Reino de Deus, em Osasco, região metropolitana de São Paulo. O teto desabou durante uma celebração, causando a morte de mais de duas dezenas de fiéis.
Desde aquele acidente, a Promotoria de Justiça e Habitação e Urbanismo da capital está exigindo a regularização dos locais usados como templos. Isso inclui a apresentação de atestados, assinados por engenheiros, sobre a segurança dos edifícios.
Católicos - O trabalho está sendo realizado por etapas e em conjunto com a Secretaria de Habitação de São Paulo. A primeira instituição chamada pelas autoridades para discutir os problemas foi a Igreja Universal do Reino de Deus, que tem 240 templos na capital. Laudos técnicos de todos eles foram entregues à Prefeitura em janeiro e agora estão sendo analisados.
Hoje foi a vez da Igreja Católica. Numa reunião na secretaria, com a presença de promotores, ficou estipulado o prazo de 30 de maio para a apresentação de laudos com informações sobre os 1.400 templos católicos. Dependendo da situação de cada um deles, a Prefeitura poderá exigir reformas de acordo com as normas técnicas de segurança que vigoram no município. "Queremos dar tranquilidade aos fiéis", disse o secretário da Habitação, Lair Krahenbuhl.

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