São Paulo, 10 (AE) - Após uma vistoria que durou três horas e meia, a Secretaria de Habitação de São Paulo interditou hoje o Santuário do Terço Bizantino, em Santo Amaro, zona sul de São Paulo, onde o padre Marcelo Rossi realiza suas missas. De acordo com o engenheiro Carlos Venturelli, que dirigiu a vistoria, o antigo galpão de fábrica transformado em local de orações oferece "risco iminente" à segurança das milhares de pessoas que frequentam o local. O principal problema, segundo o engenheiro, encontra-se na cobertura - uma estrutura de metal, ameaçada pelo vento e pela ressonância das músicas.
"O telhado do antigo depósito não foi projetado para shows com música ao vivo", disse Venturelli, que dirige o Departamento do Centrole do Uso e Ocupação do Solo (Contru), ligado à secretaria. Ele também apontou problemas nos sistemas de eletricidade e de combate a incêndio. "A instalação elétrica não tem proteção adequada."
Ao observar as mangueiras de água usadas para combater incêndio, os técnicos constataram que parte delas estava podre. Numa emergência, a rede de hidrantes também não poderia ser acionada. "Quando abrimos as torneiras, saiu barro", disse Venturelli. A relação de problemas feita pelo Contru apontou ainda a ausência de iluminação de emergência e de sistemas adequados de alarme.
Os assessores técnicos do padre Marcelo não contestaram o laudo do Contru. Alguns deles já haviam alertado a Diocese de Santo Amaro, onde fica o santuário, sobre a necessidade de mudanças no galpão de 8 mil metros quadrados onde são feitas cinco missas semanais. Na média, cada uma delas reúne cerca de 30 mil pessoas.
Reabertura - Hoje à noite técnicos do Contru e da diocese reuniram-se para discutir as mudanças, que já vinham sendo solicitadas desde outubro. Segundo o advogado Diogo Rodrigues Filho, que trabalha para o padre, o local poderá ser reaberto no prazo de uma semana. Para os técnicos do Contru, a liberação vai depender da velocidade das mudanças.
O padre Marcelo também não contestou o laudo da Prefeitura. Lamentou apenas que a interdição tenha ocorrido de uma hora para outra, sem que houvesse tempo sequer para avisar os fiéis que deverão comparecer ao local para a missa de amanhã (11). Ele prometeu que não irá suspender a celebração. "Vamos fazer ao ar livre."
Esta é a terceira vez que Rossi enfrenta problemas. Em janeiro teve de suspender as missas para realizar reformas de vedação acústica, depois que seus vizinhos foram à Justiça reclamar do barulho. Há três dias, técnicos do Programa Silêncio Urbano (Psiu), da Secretaria de Abastecimento, aplicaram uma multa de R$ 14 mil ao padre, por excesso de ruído.

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