Contru interdita 4 restaurantes na zona sul de SP
São Paulo, 18 (AE) - O diretor do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), Carlos Alberto Venturelli, interditou hoje quatro restaurantes na Vila Nova Conceição, na zona sul de São Paulo. Na semana passada, Allez Bistrô, Botânica
Gino e Napoleone já haviam sido lacrados, por determinação do Ministério Público, sob alegação de desrespeito à Lei de Zoneamento. "Todos desrespeitaram o lacre", disse Venturelli.
Na quinta-feira à noite, numa ação conjunta do Grupo de Atuação e Repressão contra o Crime Organizado (Gaeco) e da Administração Regional de Vila Mariana, os estabelecimentos já haviam recebido uma faixa amarela de ponta a ponta. Hoje, clientes almoçavam no Allez quando os fiscais chegaram para pôr a placa. No Napoleone, havia faixas usadas durante a manifestação que os funcionários dos quatro restaurantes fizeram
na véspera, em frente da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo. O proprietário do Napoleone, Pedro Paulo Facchini, estava revoltado.
Facchini pretende agora transformar seu restaurante em bar para estar de acordo com a lei. "Vou me adequar, mas preciso de prazo", argumentou. Ele disse que todas as exigências feitas pelo Contru, entre elas a instalação de iluminação de emergência, foram cumpridas. "Ninguém veio vistoriar". Para Facchini, o Ministério Público ordenou o fechamento por interesse próprio. Ele se referia à pressão que a promotora Mabel Schiavo Tucunduva Prieto de Souza teria exercido no caso. Mabel tem imóvel na Vila Nova Conceição e trabalha na Promotoria de Habitação e Urbanismo com o promotor Carlos Alberto Amin Filho, que assinou ofício enviado à Administração Regional de Vila Mariana, ordenando o fechamento das casas. Uma fonte da Prefeitura disse à reportagem que a promotora Mabel vinha telefonando várias vezes para a Prefeitura exigindo providências em relação ao descumprimento do lacre pelos restaurantes. A reportagem procurou saber de Amin se um promotor pode manifestar-se sem que seja por meio de ofício. Segundo informou sua secretária, Amin estava viajando e só retornará na segunda-feira. A promotora Mabel estava em reunião externa. Propina - A instalação da placa de interdição no Botânica ocorreu sem problemas, ao contrário do que ocorreu com o Gino, que funciona em área estritamente residencial (Z1). O diretor financeiro do estabelecimento, Rubens Bezerra, não quis abrir a porta para o Contru, o que não impediu que o lacre fosse feito, e chamou Venturelli de nazista. Garantiu também que o administrador regional de Vila Mariana, Roberto Cláudio Gonçalves Ribeiro, dissera em reunião com os proprietários, no início da semana, que as casas poderiam funcionar "de modo precário". Bezerra disse que o estabelecimento funcionou por um ano e quatro meses sem qualquer interferência da Prefeitura. "Há muito podre por trás de tudo isso", afirmou, ao responder pergunta sobre como a casa conseguiu ser erguida em local não permitido. "Quando se é molestado pelo poder público sempre aparece alguém de dentro dizendo que pode resolver; tenho certeza de que os donos pagaram propina, que é o único jeito de fazer as coisas nesta cidade".
O promotor José Carlos Blat, um dos promotores que investigam a máfia dos fiscais, disse que, se houve cobrança de propina para permitir que os restaurantes fossem erguidos, o Gaeco vai entrar em ação. José Paulo Sérgio dos Santos, da Associação dos Moradores da Vila Nova Conceição, que lutou pelo fechamento dos restaurantes, acompanhou hoje a ação do Contru, junto de Guilherme Travassos, advogado da entidade. Santos disse que a ação da associação vai continuar.





