Controle dos fatores de risco evita a doença
A única maneira de prevenir a ocorrência de um AVC é controlar os fatores de risco - a hipertensão arterial, o diabetes, o aumento do colesterol ruim, o aumento dos triglicérides e o tabagismo, que aceleram o processo de endurecimento e entupimento das artérias (aterosclerose). ''Nas mulheres, o uso de anticoncepcionais associado ao fumo também são risco para o AVC, principalmente naquelas que sofrem de enxaqueca'', alerta o neurologista Damacio Ramón Kaimen Maciel, professor doutor da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
As doenças cardíacas, como o infarto agudo do miocárdio, os problemas das válvulas cardíacas e as arritmias, também são fatores de risco para o AVC já que aumentam o risco da formação e desprendimento de coágulos que podem entupir vasos cerebrais (embolia cerebral). O alcoolismo, doenças mais raras que comprometem os vasos e a coagulação, e a genética são outros dos fatores de risco.
Maciel ressalta que as pessoas já têm mais consciência de que é preciso cuidar da dieta e que fumar faz mal, mas os números da doença ainda são altos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a incidência do AVC é de 100 a 150 casos novos por ano para cada grupo de 100 mil habitantes, o que em Londrina, significa de 500 a 700 novos casos por ano. ''Considerando a prevalência da doença, em Londrina são de 2,5 mil a 3,5 mil pessoas que já tiveram AVC e podem estar incapacitadas'', avalia.
Quem já sofreu um derrame deve prevenir a recorrência do AVC. Segundo Jairo Lins Borges, cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, o risco de uma pessoa voltar a ter um AVC é de 15% a 30% em cinco anos. ''O grande problema da recorrência é que ela frequentemente traz repercussões funcionais maiores, pois estas se adicionam às sequelas já existentes. Assim, as limitações motoras podem ser mais graves, bem como os déficits cognitivos (demência). A mortalidade também aumenta em caso de recorrência'', explica Borges.
Hoje, uma das esperanças para o tratamento do AVC são as pesquisas com células-tronco. ''Mas, mesmo neste casos se questiona se o paciente não iria melhorar de qualquer jeito, pois há casos de recuperações boas'', afirma Maciel. (C.P.)





