Controle de produtos é falho
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quarta-feira, 01 de julho de 1998
Agência Folha 
A atual forma de classificação dos lotes de medicamentos por indústrias e distribuidores não permite que sejam identificados desvios como o que teria ocorrido com a Microvlar, cujas embalagens para testes teriam sido roubadas a caminho do incinerador.
Essa é a opinião dos distribuidores de medicamentos, que consideram o episódio um alerta para que a indústria farmacêutica comece a mudar a forma de registro e classificação de seus produtos. A própria Vigilância Sanitária de São Paulo afirma que os atuais mecanismos não permitem saber exatamente onde estão e de onde vieram os remédios desviados, como no caso das pílulas de farinha. A vigilância afirmou que vistoriou as notas fiscais das farmácias que teriam vendido as pílulas às mulheres que engravidaram, e as comparou com os registros dos distribuidores. Não encontrou nenhuma irregularidade.
As notas fiscais de compra da Microvlar apresentadas por farmacêuticos informam apenas o número de caixas do medicamento compradas, mas não fornecem nenhuma identificação que facilite o rastreamento do produto. Isso ocorre também com as notas fiscais fornecidas pelos laboratórios aos distribuidores.
Portaria do Ministério da Saúde de 29 de maio passado determina que as empresas responsáveis pela produção de remédios tenham o controle da movimentação dos medicamentos. Se as coisas continuarem funcionando como hoje, essa portaria não vai adiantar, diz Sergio Comunale, gerente do distribuidor Panarello. Isso porque cada lote contém milhares de embalagens de medicamentos, que são vendidas a vários distribuidores, que por sua vez distribuem para centenas e até milhares de farmácias.


