Rio, 18 (AE) - A necessidade de controlar o fluxo de capitais dividiu os economistas hoje, durante sessão do XI Fórum Nacional, promovido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O debate mostrou visões opostas entre os economistas Paulo Nogueira Batista Júnior, que defendeu a necessidade do País adotar algum tipo de controle sobre os capitais de curto prazo, e o ex-presidente do Banco Central Afonso Celso Pastore, para quem uma medida deste tipo tende a ser "contraproducente".
O ex-ministro Marcílio Marques Moreira também se manifestou contrário aos controles, argumentando que o Brasil precisa é "se abrir mais". A deputada federal Yeda Crusius (PSDB-MG), presidente da Comissão de Finanças da Câmara, disse que o Congresso Nacional está preocupado em "discutir formas para disciplinar os capitais voláteis".
Nogueira defendeu o controle do fluxo de capitais argumentando que o quadro internacional é muito frágil e os fundos internacionais deslocam-se, hoje, com uma grande velocidade de um lugar do mundo para outro. As crises econômicas dos anos 90, na sua opinião, estão levando os países desenvolvidos reverem a imensa liberalização financeira dos últimas décadas.
Pastore objetou que o controle de capitais deve ser visto com cuidado, porque pode dificultar financiamentos externos para investimentos. Ele alertou que o exemplo da Malásia, que fez controle sobre fluxo de capitais, não deve ser seguido, porque o país tinha superávit em conta corrente quando adotou esta medida.
Nogueira replicou que não defende medidas emergenciais, como as tomadas pela Malásia. O economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) lembrou que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos deu novas provas de que este controle é necessário.
Ele citou como exemplo as remessas de dinheiro feitas pelo Banco Marka no mesmo momento em que o proprietário da instituição, Salvatore Cacciola, pedia ajuda ao Banco Central.
O vice-presidente do Morgan Stanley para a América Latina, Francisco Gros, alertou que controles de capitais que incluam taxações sobre as movimentações financeiras seriam prejudiciais. "Vai fazer apenas com que o capital vá para outro lugar", afirmou Gros, ex-presidente do Banco Central.
Ele admitiu, no entanto, controles sobre a quantidade de recursos estrangeiros a serem recebido por um País, ou sobre o nível de risco destas aplicações. Gros lembrou que, da década de 80 para a década de 90, o a "natureza dos fluxos globais" mudou muito, deixando de ser recursos de alguns bancos e de governos de países desenvolvidos para tornar-se dinheiro de milhares de investidores, cuja movimentação é decidida por decisões de centenas de administradores. "É o mercado, e não se consegue mudar isso", alertou Gros.
O economista Jan Kreger, da Unctad, órgão ligado à Organização Nacional das Nações Unidas (ONU), também manifestou-se favoravelmente ao controle da movimentação de investimentos internacionais.

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