CONTROLE - Monitorar glicose reduz risco para diabético
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segunda-feira, 07 de novembro de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Nem sempre foi assim, mas, hoje, a monitorização diária da taxa de glicose no sangue já faz parte da vida de Ricardo da Silva, portador de diabetes. E é por conta desse controle, que ele acredita que convive bem com a doença, sem maiores problemas. Ele está certo. Uma pesquisa divulgada no início de outubro comprovou cientificamente o que os médicos já defendiam no tratamento de diabetes - a automonitorização da glicose no sangue reduz significativamente as taxas de complicações e mortalidade.
Realizado pelo German Diabetes Center (GDC) da Universidade Heinrich-Heine,
de Dusseldorf, Alemanha, o estudo RoSSO (Retrolective Study Self-Monitoring of Blood Glucose and Outcome) usou dados de 3.268 pacientes que receberam o diagnóstico de diabetes tipo 2 na segunda metade da década de 90.
Um dos resultados da pesquisa mostrou que o risco de morbidade (complicações em decorrência da doença, como problemas cardíacos, renais, amputações e cegueira, entre outros) foi reduzido em cerca de um terço no grupo que realizou a automonitorização em relação àquele que não a fez. Já a taxa de mortalidade foi reduzida à metade.
O estudo também revelou que o subgrupo de pacientes não dependentes de insulina - tratados apenas com medicação oral - tiveram o risco de morbidade reduzido em um terço, e o de mortalidade em cerca de 40%.
Segundo dados da pesquisa, dos 9% de pacientes que apresentaram complicações, dois terços eram do grupo não-monitorado, proporção que se manteve em relação aos pacientes que morreram. O estudo foi feito a partir de um protocolo de vigilância epidemiológica - um banco de dados que armazena informações clínicas dos pacientes por longos períodos, e as coloca à disposição para análises estatísticas.
''Com a monitorização o paciente passa a 'enxergar' o diabetes, doença silenciosa, que as pessoas nada sentem e nada vêem. E se convencem que precisam se tratar'', ressalta o endocrinologista Fadlo Fraige Filho, presidente da Associação Nacional dos Diabéticos (Anad).
Para Ricardo da Silva, nem a escassez das fitas, que recebe da saúde pública, para monitorização da taxa de glicose no sangue fazem ele desistir. ''O certo seria fazer (a monitorização) três vezes ao dia, todos os dias. Mas, como não tenho fitas suficientes para isso, faço três vezes por dia, a cada dois ou três dias'', diz Silva, que recebe 50 fitas a cada dois meses.
Mas mesmo isso já permite a ele desenhar um gráfico com os altos e baixos da glicose no sangue. O que, juntamente com um diário onde anota o que comeu e como estava emocionalmente, permite ao médico que o acompanha saber exatamente o que aconteceu a ele durante o período. ''Anoto se comi algum doce ou se fiquei nervoso. Com essas informações dá para saber direitinho como estou'', afirma.
Quando descobriu que tinha diabetes tipo 1, aos 12 anos, o controle da doença era mais difícil, lembra. Ele conta que existiam poucos produtos dietéticos e ainda não existiam exames para medir a glicose através do sangue, mas pela urina, ''que não era nada prático''.
Silva lembra que teve uma fase que chama de ''rebelde'', quando não queria fazer exames ou controlar o diabetes. ''Eu não aceitava, não falava para ninguém que tinha diabetes, foi só de uns oito anos para cá que comecei a controlar'', afirma. Prática que hoje comemora: ''É um investimento a longo prazo, pois, se eu não tiver saúde, não vou poder trabalhar e acabar ficando dependente dos outros. Conheço pessoas que descobriram a diabetes na mesma época que eu e já estão com problemas na vista ou fazendo hemodiálise''.
No próximo dia 14 de novembro, comemora-se o Dia Mundial do Diabetes, instituído como um meio de aumentar a conscientização global sobre a doença.


