São Paulo, 26 (AE) - Dois dos principais controladores da Light e da Eletropaulo Metropolitana terão que fazer uma oferta pública para a compra das ações dos minoritários das duas companhias. AES e EDF compraram hoje, respectivamente, 59% das ações preferenciais da Eletropaulo e 23% dos papéis ordinários da Light, em leilões promovidos pela empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDESPar). Pela instrução 299 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), quando o acionista majoritário aumenta sua participação em mais de 10%, ele fica obrigado a estender a compra aos minoritários.
As duas empresas se negaram a comentar o aumento da participação. Alguns analistas acreditam que possa estar sendo estudada uma reestruturação societária das duas distribuidoras. A EDF ficaria apenas com o controle da Light e a AES com o da Eletropaulo.
O leilão não animou os minoritários, já que nas duas vendas os lotes saíram por valores abaixo do esperado. Além disso, na operação da Eletropaulo, a AES contou ainda com a vantagem de parcelar em até três anos a compra. Pelas regras da CVM, a oferta pública tem que ser feita pelo mesmo preço e condições em que o controlador aumentou sua participação.
O resultado do leilão fez com que as ações das duas empresas caíssem. Eletropaulo recuou 0,43% minutos após a venda. Já as ações ON da Light, cujo leilão só aconteceu no final do dia, caíram 8,19%. Há cerca de alguns meses, as ações da Light vêm acumulando alta significativa por conta de rumores de que haveria uma oferta pública por parte dos controladores, a partir desse leilão.
Os analistas esperavam, no entanto, que houvesse uma disputa grande pelas ações, o que elevaria o preço da oferta pública para os papéis dos minoritários. Haviam rumores no mercado de que o Bradesco e a VBC (controladora da CPFL) estariam tentando comprar parte do controle da Light. Além dos 23,11% de ações ON vendidas hoje, a BNDESPar colocará à venda um lote de 9,24% de ações ON vinculadas ao bloco de controle.
A venda da Eletropaulo foi feita pela manhã, na Bovespa. Foram ofertadas l4.892.900.000 ações preferenciais da empresa, que correspondiam a 59,13% das PNs. A AES adquiriu 27.417 unidades. Houve interferência no leilão de três corretoras. A Sudameris comprou 20 unidades, a Concordia 12 e a corretora Graphus comprou 51, totalizando 83 unidades.
As ações da Light foram vendidas no final da tarde, na BVRJ. A Branscan levou quase todo o lote ofertado, pelo preço de R$ 209,99, com ágio de 2,93%. Um lote pequeno chegou a sair, para comprador náo identificado, por R$ 210, com ágio de 2,94%. A EDF, do grupo controlador da Light, aumentou sua participação na empresa em 20,24%. A empresa já detinha 11,4% também de ações ordinárias, porém estas são vinculadas ao acordo de acionistas.

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