Controladores ameaçam greve branca
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sexta-feira, 27 de outubro de 2006
Folhapress 
Brasília- Ainda sob efeito do maior acidente aéreo do país, controladores de tráfego aéreo se reuniram ontem em Brasília, em sigilo, para discutir as dificuldades do setor e definir uma forma de pressionar o governo a atender a reivindicação por melhores salários, menor carga horária e a contratação de mais profissionais.
A maioria dos controladores é militar, por isso estão proibidos por lei de fazer greve. Mas, segundo apurou a reportagem com alguns dos participantes, não está descartada uma ''greve branca'', mobilização que pode ser desde o atraso proposital dos vôos até a paralisação dos civis que trabalham no setor.
O encontro --que contou com cerca de 60 controladores de tráfego aéreo-- foi realizado de forma discreta. A preocupação de não serem flagrados em ''assembléia'' ficou evidente com o local e horário escolhido para a reunião. A conversa ocorreu no Parque da Cidade, um local praticamente deserto pela manhã em dias de semana.
Os participantes evitaram a imprensa sob o argumento de que não poderiam falar ''ainda'' sobre o que discutiram. Também tiveram o cuidado de deixar os uniformes nos carros para não serem identificados.
Ao menos três participantes disseram à reportagem que a hipótese de greve dos civis ou de uma ''operação padrão'' ser colocada em prática foi discutida. A ''operação'' consistiria no atraso dos vôos para demonstrar a insatisfação com o trabalho, já que não são todos que podem participar da paralisação.
Na manhã de ontem, ao menos 32 aeronaves com destino a São Paulo, Cuiabá, Campo Grande e à região Sul do país decolaram do aeroporto de Brasília com atrasos de uma hora e meia, em média. Segundo a Infraero (estatal que administra aeroportos), os problemas começaram por volta das 8h25. Aeronaves com outros destinos tiveram atrasos de dez minutos e, a partir das 10h42, todas as decolagens passaram a ocorrer com um intervalo de cinco minutos.
A assessoria da Aeronáutica informou que os atrasos foram consequência do excesso do tráfego aéreo, o que obrigou as aeronaves em solo aguardar um maior espaçamento para decolar.
As normas internacionais determinam que cada operador de tráfego aéreo deve controlar, no máximo, 14 aeronaves no mesmo instante. O excesso de jatinhos e de aviões pequenos vem provocando atrasos de 30 minutos a duas horas nos pousos e decolagens nos aeroportos de Congonhas e de Brasília, nos últimos dias, o que levou o governo a se reunir ontem para discutir o assunto.
Ontem, o ministro da Defesa, Waldir Pires, confirmou que novos controladores de tráfego devem ser contratados, diante da grande demanda de aeronaves que operam em todo o país.


