Brasília A Associação Brasileira de Controladores de Tráfego Aéreo negou ontem que haja qualquer risco de uma nova paralisação de controladores no feriado prolongado da Páscoa. Ulisses Fontenele, representante da associação, admitiu que a paralisação é considerada crime no meio militar, mas disse acreditar que o acordo com o governo, que prometeu não punir ninguém, será respeitado.
''Que houve crime, todo mundo sabe, mas existe um crédito grande em favor do governo. Ele tem que se comprometer com a palavra dele de que ninguém seria punido. O Ministério Público Militar tem obrigação de investigar, mas o que foi prometido é a anistia prévia'', disse.
Para Fontenele, o ideal seria a criação de um projeto de lei a ser enviado para o Congresso, caso a Justiça Militar defina punições para os controladores que se amotinaram. ''O que aconteceu na sexta foi momento, não foi motim planejado. Havia sido planejado apenas greve de fome, mas situação se agravou''.
A paralisação dos controladores começou na tarde de sexta-feira depois que o comandante do Cindacta-1, Carlos de Aquino Vuyk, ameaçou punir quem se amotinasse. Na manhã do mesmo dia, os controladores já haviam ameaçado realizar a greve de fome.
No Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, a situação ontem foi, relativamente, tranquila. Conforme balanço da Infraero, das 6 às 17 horas, três vôos foram cancelados, e quatro sofreram atraso médio de duas horas. Estavam previstas 103 operações -50 pousos e 53 decolagens- e até o fechamento do balanço, três vôos (um para Cascavel e dois para Porto Alegre, que deveriam ter saído do Afonso Pena entre 16h20 e 16h45) ainda estavam pendentes.
O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que os controladores de vôo cometeram crime e que as pessoas prejudicadas pela paralisação podem acionar a União na Justiça pedindo indenizações por danos morais e materiais. ''O fato é que houve crime militar. Espera-se que o Ministério Público Militar adote providências nesse sentido'', afirmou o ministro.

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