Rio, 14 (AE) - O controlador do Banco FonteCindam, Fábio Steinfeld, admitiu hoje que as atividades da instituição "estão em processo de desativação". Steinfeld evitou falar sobre a possibilidade de fechamento do banco. "Estou avaliando as alternativas", afirmou. No entanto, ele mesmo admitiu, logo depois. "Receito que não tenhamos muitas alternativas."
O banco fechou a corretora e a área de tesouraria, contou Steinfeld. "Vamos esperar que o tempo faça justiça", disse o controlador, ao comentar qual seria a estratégia possível. Para ele, o FonteCindam cometeu dois erros em todo o caso: estar em posição de venda de dólares, na época do fim do regime cambial de bandas, e não ter divulgado logo para o público a situação da instituição e a operação de compra de dólares no mercado futuro do Banco Central (BC), assim que ela foi feita.
"Achávamos que a operação era tão correta que não precisava ser explicada", informou Steinfeld. Ele reiterou que, pela política cambial que vigorava quando o economista Francisco Lopes presidia o BC, o órgão era obrigado a vender dólar no teto da banda cambial, como foi feito.
O controlador do banco mostrou a declaração pessoal de Imposto de Renda (IR) de 1996 para mostrar que não sonegou o recebimento de ações recebidas do banco, criado naquele ano pela fusão de outras duas instituições, Fonte e Cindam. A suspeita foi levantada pelo presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), ontem (13), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, durante o depoimento do ex-presidente do FonteCindam Luiz Antônio Gonçalves.
Steinfeld explicou que recebeu ações do FonteCindam, no valor de R$ 17,5 milhões. Deste total, R$ 3 milhões foram doados para Gonçalves, R$ 1,5 milhão, para Luís Chrysóstomo, e R$ 500 mil, a Bruno Scharfstein, ex-diretores do banco, como remuneração. O restante foi usado por Steinfeld para se integrar ao FonteCindam como acionista majoritário, por meio da holding Pedra Campos, de propriedade dele.
O controlador mostrou que o valor das ações e de toda a operação foi informado na declaração. Ele afirmou que o lote de ações aparece no documento com valor zero apenas nas rubricas onde têm de ser informados quanto os bens valiam no início e no fim de 1996. Por uma razão simples, afirmou: nestes dois períodos, ele não tinha as ações, uma vez que toda a operação transcorreu durante o ano.
Gonçalves enviou hoje carta à CPI com estas explicações. Steinfeld também explicou hoje porque, após receber a ajuda do BC, o banco ainda fez operações de venda de dólares no mercado futuro.
Segundo ele, a medida, combinada à aquisição de contratos no mercado de opções de compra ou venda de dólares, foi adotada para que o banco saísse dos dois mercados.

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