Contrato da CPTM beneficia indústria ferroviária
São Paulo, 05 (AE) - As principais indústrias de equipamentos ferroviários do País devem ser beneficiadas nos próximos dias com a assinatura de um contrato no valor de US$ 600 milhões para recuperação de locomotivas, vagões e trilhos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), empresa estadual que administra os trens de subúrbio em São Paulo.
O valor do contrato, que se estende por seis anos, equivale à metade do faturamento do setor ferroviário para este ano, estimado em US$ 1,2 bilhão, disse hoje o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais Ferroviários (Abifer), Luís Cesário Amaro da Silveira. Os primeiros US$ 60 milhões devem ser investidos ainda este ano.
O protocolo de intenções referente ao plano de recuperação dos trens urbanos está sendo negociado desde o ano passado entre a Abifer, Sindicato da Indústria de Materiais Ferroviários (Simefre), Associação Brasileira para o desenvolvimento da Indústria de Base (Abdib) e Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos.
A recuperação dos trens de passageiros sucateados faz parte do Plano Integrado de Transporte Urbano do governo do Estado. O plano foi feito após a polêmica causada pela importação de trens espanhóis usados no início do governo Mário Covas.
No ano passado, antes de deixar o cargo para disputar o segundo mandato, o governador assinou um contrato de emergência no valor de US$ 85 milhões, também destinado à recuperação de parte da frota de vagões e locomotivas que se encontram em péssimo estado de conservação por falta de manutenção. Os trens de subúrbio de São Paulo atendem a mais de um milhão de passageiros por dia.
A indústria reivindica um programa de financiamento de longo prazo para assegurar condições de planejamento a médio e longo prazos. "O protocolo que deveremos assinar ainda este mês vai permitir manter os empregos que vinham numa curva descendente e talvez até permita a retomada das contratações", afirma Silveira.
Atualmente o setor ferroviário emprega 10 mil trabalhadores. O número já chegou a 32 mil nos anos 70, mas as empresas enfrentaram enormes dificuldades nos anos 80 devido à falta de investimentos. A venda das concessões da antiga Rede Ferroviária Federal, a partir de 1996, vem estimulando investimentos no setor de transporte de carga.
O faturamento da indústria ferroviária saltou de US$ 600 milhões em 97 para US$ 850 milhões no ano passado e deverá chegar a US$ 1,2 bilhão este ano. Agora os fabricantes acreditam que os investimentos podem beneficiar também o transporte de passageiros.





