São Paulo, 07 (AE) - O contrato coletivo nacional de trabalho proposto pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical tem como um dos principais objetivos evitar a chamada guerra fiscal, em que empresas se instalam em regiões que oferecem maiores incentivos e onde os salários são menores.
A idéia é ter um piso salarial único, de no mínimo R$ 800,00, e salários profissionais, de acordo com a função exercida. Os sindicalistas não aceitam o fato de os empregados das montadoras do ABC, por exemplo, receberem salário médio de R$ 1,5 mil, os da Fiat, em Minas, de R$ 800,00 e os da Volkswagen, em Resende, de R$ 400,00.
As distorções acentuaram-se nos últimos anos por conta da descentralização industrial, da guerra fiscal e de negociações por empresa. O presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, afirmou hoje durante a manifestação em frente à sede da Anfavea ser favorável à descentralização econômica, mas por meio de uma política industrial séria. "Não vamos aceitar que as empresas peguem dinheiro do povo, como ocorreu com a Ford, na Bahia, e paguem um salário miserável aos trabalhadores", disse Vicentinho.
José Carlos Pinheiro Neto, presidente da Anfavea (entidade que reúne as montadoras), diz que o contrato nacional representaria uma "cartelização dos salários". Segundo ele, as montadoras não querem exportar os custos de produção do ABC e de São Paulo, que as empresas consideram alto, para outras regiões.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, afirmou que o contrato nacional também possibilitaria a extensão de direitos já conquistados pelos metalúrgicos de São Paulo, como transporte, aos de outros Estados.

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