Mais de cem mudas de árvores plantadas por alunos às margens do Lago Cabrinha, na Zona Norte de Londrina, foram exterminadas em menos de dois meses. A medida deixou indignados tanto ambientalistas quanto professores e crianças atendidas pelo Centro Social Marista (Cesomar). A estimativa é que perto de 120 plantas tenham sido destruídas pela empresa contratada pela administração municipal para fazer a roçagem do mato.
No início de março, cerca de 50 alunos fizeram um protesto no local, com faixas e cartazes, contra a ação da Visatec, que é contratada pela prefeitura para fazer a capina e roçagem de terrenos. Durante a manifestação contra a destruição de mudas ocorrida no início de fevereiro, 50 árvores nativas como aroeira pimenteira, coração de nego, amendoim bravo e timbó foram plantadas. Essas plantas foram cortadas ontem pelas máquinas da empresa.
A notícia revoltou os alunos que participaram da ação. A informação é do presidente da organização não-governamental Meio Ambiente Equilibrado (MAE) e professor do Cesomar Eduardo Panachão. Ele lamentou os danos provocados pela ação dos funcionários da Visatec.
''Tem o prejuízo do tempo e o dinheiro usados para a produção das mudas. Mas o prejuízo maior é o da desmotivação da comunidade e das crianças e dos adolescentes. Alguns deles já questionaram se adianta plantar árvores se depois a roçagem arranca as mudas'', afirmou.
Os integrantes da ONG deverão entrar hoje com uma representação junto ao Ministério Público para cobrar providências. Para o coordenador da MAE, Carlos Levy, os responsáveis pela roçagem da área foram, no mínimo, negligentes. '' Acredito que houve má-fé porque eles passaram a roçadeira indiscriminadamente pelo local'', opinou.
O chefe-regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Carlos Alberto Hirata, informou no final da tarde de ontem que a empresa deve ser autuada e o valor da multa vai depender da área e da quantidade de mudas danificadas. Ele alegou, porém, ainda não ter conversado com o fiscal responsável pela autuação para passar mais detalhes sobre a penalidade à empresa. ''Mas com certeza uma punição vai ter, até por ser reincidente'', disse.
A reportagem ligou também no final da tarde para a Visatec, mas o telefone da empresa não completava as ligações. Já na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), órgão público responsável pela contratação da empresa de roçagem, ninguém atendeu as ligações.

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