Curitiba - O Programa Saúde da Família foi criado pelo Ministério da Saúde em 1994, com a missão de substituir o modelo tradicional de saúde existente no País. A intenção é levar a sa© úde para mais perto da família, implantando equipes de atendimento que trabalham nas unidades de saúde e visitam as famílias em casa. Mas em muitos municípios do Paraná a inversão de valores na área de saúde não está sendo possível porque faltam médicos dispostos a trabalhar dentro do novo sistema.
Em Ponta Grossa, por exemplo, foi preciso realizar dois concursos para conseguir contratar nove médicos no final do ano passado. Agora é o município de Arapoti que enfrenta dificuldades para completar a formação de suas equipes (leia texto abaixo). ‘‘É preciso mudar a formação dos médicos’’, acredita a chefe de divisão de Estratégia com Municípios, da Secretaria Estadual de Saúde, Terezinha Watanabe. Segundo ela, hoje os formandos em Medicina saem dos cursos com uma visão hospitalar e não apresentam disposição para trabalhar com saúde pública.
Apesar da dificuldade, 302 municípios do Paraná já têm o Programa Saúde da Família. São 961 equipes que representam mais de 12 mil pessoas entre médicos, enfermeiros, auxiliar de enfermagem e agentes de saúde. A secretaria calcula que cada equipe atende, em média, 3.250 pessoas. Isso equivale dizer que no Paraná cerca de quatro milhões de pessoas são atendidas pelo programa.
Segundo Terezinha, no Paraná os médicos que trabalham no programa ganham entre R$ 4 mil e R$ 6 mil. ‘‘É uma remuneração boa e o médico só vai conseguir ganhar mais se tiver vários empregos. Mas dessa forma ele estará comprometendo a sua qualidade de vida’’, considera Terezinha.
Hoje será realizado o primeiro encontro macrorregional de equipes de Saúde da Família do Paraná. O município de Curiúva, no norte do Paraná, vai sediar o encontro, que reunirá equipes de 55 municípios da região norte e dos Campos Gerais. O ex-secretário de Saúde do Estado Armando Raggio será um dos palestrantes do evento.

mockup