Contrários à ocupação fazem mutirão de limpeza na UEL
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quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 

Cerca de 50 estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), pertencentes ao Movimento Filhos da UEL, promoveram nesta terça-feira (15) um mutirão de limpeza no campus. Os alvos do grupo foram pichações e cartazes espalhados, principalmente, pelos prédios do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa) e do Centro de Letras e Ciências Humanas (CCH). Contrários à ocupação da instituição, eles repudiaram a sujeira deixada pelos alunos que permanecem na instituição desde o final de outubro.
"Quem é estudante de verdade cuida do patrimônio público. Olhando pra toda essa sujeira, fica bem claro que não é isso o que está ocorrendo na ocupação", critica o estudante de Direito Esdras Ferreira Pimenta, de 24 anos. Ele defende também o retorno imediato das aulas. "Estudante não é uma classe trabalhadora, portanto não tem direito a greve. Queremos reforçar que esse tipo de atitude radical não representa todos os alunos da UEL", opina.
Com baldes e buchas nas mãos, os alunos percorreram os corredores atrás de pichações. Algumas das inscrições foram removidas, mas a maioria ficou borrada na parede. "Vamos apagar o máximo que conseguirmos, mas para ficar bom vai precisar de uma pintura", conta Jussara de Souza, de 22 anos, aluna do curso de Secretariado Executivo. Os estudantes organizam uma campanha de arrecadação de tinta para a pintura das paredes pela internet. "Quem puder contribuir é só entrar em contato com a gente pela página do Movimento Filhos da UEL, pelo facebook", orienta.
A pichação mais polêmica, na capela da UEL, não pôde ser removida. Como trata-se de um prédio histórico tombado, construído em peroba tratada com verniz especial, os alunos foram orientados a não tentar fazer a limpeza, que será realizada por uma equipe de especialistas. "Nosso movimento não tem qualquer viés político, mas não estamos aqui para impedir quem quer protestar. Só achamos que o modo como estão fazendo isso, sujando e vandalizando, é errado", diz Jussara.
O movimento pede ainda a anulação da assembleia que definiu a greve estudantil. Celso Toshiro Taguti Filho, aluno do quarto ano de Direito da UEL, considera ilegal a forma como foi conduzido o processo. "Em um universo de 18 mil alunos, apenas 280 votaram. Não houve publicidade suficiente. A convocação apenas via internet não é considerada válida", argumenta. O movimento se organiza agora para a nova assembleia, marcada para a próxima quinta-feira. "Vamos tentar levar o maior número possível de alunos que votam pelo fim da greve para, assim, podermos voltar às aulas e recuperar este tempo perdido", adianta Jussara.
Permanecem ocupados a reitoria, a Rádio UEL FM, o Centro de Educação, Comunicação e Artes (Ceca) e parte do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU).


