Rio, 29 (AE) - Excluído de uma reunião do presidente do PT, José Dirceu, com o governador pedetista Anthony Garotinho para tratar das eleições de 2000, o presidente do PDT, Leonel Brizola
ameaçou hoje romper com os petistas em protesto contra o que julgou intromissão em assuntos internos de seu partido. No encontro, ontem (28), Dirceu levantou a possibilidade de Garotinho apoiar a candidatura de Benedita da Silva (PT) mesmo que o PDT tenha postulante à prefeitura. Para o presidente do PDT, a reunião foi uma tentativa de Dirceu de "explorar incompreensões e aprofundar divergências" entre pedetistas.
"Estranhei muito essa atitude"", disse Brizola. "Da minha parte, jamais tratei com um governador do PT sem que dirigentes petistas estivessem presentes." O pedetista, em aberta divergência com Garotinho, irritou-se porque na segunda-feira conversara por telefone com Dirceu, sem que o presidente do PT o avisasse que se encontraria na terça com Garotinho. O motivo para o encontro foi a entrega de um documento oficializando a permanência dos petistas no governo, mas também houve uma longa conversa sobre sucessão no município do Rio.
Brizola afirmou que o PDT enviará ao PT um protesto contra a realização da reunião sem o conhecimento da cúpula pedetista e deverá se afastar dos petistas nas eleições de 2000.
"Houve violação da relação ética que, sem dúvida, trará consequências, no sentido do distanciamento entre as duas direções partidárias", atacou Brizola. Ele acusou Garotinho de estar "faltando com a verdade" quando afirma que ele, Brizola, assumiu um compromisso de apoiar Benedita em 2000, em troca do apoio do PT em 1998. "O PDT não poderia assumir, com tanta antecedência, esse compromisso, sem uma decisão partidária", atacou. Brizola repetiu que o PDT terá candidato e descartou a possibilidade de união com o PT no primeiro turno no Rio, mesmo que os petistas aceitem indicar o candidato a vice-prefeito.
Brizola criticou também a permanência do PT no governo estadual mesmo sem que Garotinho tivesse pedido desculpas aos petistas por ter seu chamado a legenda de "partido da boquinha", por estar supostamente cada vez mais interessado em cargos públicos. Ele considerou difícil a união PT-PDT em outras cidades, pois, afirmou, os petistas só querem ser apoiados pelos outros partidos, não apoiá-los. "O que pretende o presidente do PT ao esconder de nós as suas articulações?", perguntou. "Quanto ao governador Garotinho, também lamentamos o seu procedimento, o correto seria que convocasse, no mínimo, o presidente regional do partido para o encontro."

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