Bogotá, 09 (AE-ANSA) - O Exército anunciou nesta sexta-feira (09) que 36 soldados morreram ontem nos confrontos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), nas proximidades de Bogotá, mas autoridades locais disseram ter encontrado 38 corpos e que "infelizmente há mais".
Dúvidas e contradições encobrem hoje a morte de entre 74 e 80 militares e guerrilheiros, segundo estimativas extra-oficiais, durante cerca de 12 horas de combates nas montanhas do sudeste colombiano.
O Exército informou hoje que os "fortalecidos" guerrilheiros das Farc causaram a morte de 36 soldados nos combates de quinta-feira na zona rural próxima ao povoado de Gutiérrez. Por sua parte, o prefeito da localidade, Leonel García, informou que já foram achados os cadáveres de 38 militares e que "infelizmente parece haver mais".
As Farc afirmaram que 43 militares morreram durante o ataque insurgente a um acampamento improvisado de 72 militares nas montanhas próximas do limite entre os estados de Cundinamarca e Meta.
O chefe do Exército, general Jorge Enrique Mora, garantiu hoje que seus soldados mataram pelo menos 38 membros das Farc nos combates. Ele acrescentou que 17 dos soldados mortos têm ferimentos de bala na cabeça e que supostamente foram mortos com tiros "de misericórdia". Mora também alertou que podem ocorrer novos ataques guerriheiros nos dias que antecedem o início das negociações de paz entre as Farc e o governo, programadas para 20 de julho.
O chefe militar absteve-se de comentar um suposto erro militar estratégico ao manter por duas semanas o acampamento com 72 soldados em uma região que esteve sob certo controle guerrilheiros nos últimos anos. Um dos soldados sobreviventes declarou que foram advertidos sobre um possível ataque insurgente e que esperavam por reforços que nunca chegaram.
Segundo Mora, os guerrilheiros saíram da zona desmilitarizada onde ocorriam as conversações de paz entre Farc e governo. Ele acusou os guerrilheiros de tráfico de drogas na região. O militar irritou-se com as perguntas de jornalistas sobre possíveis falhas militares e recomendou que a imprensa "visse o que foi evitado". Ele afirmou que os insurgentes planejaram ocupar vários povoados da região e depois aproximar-se de ou entrar em Bogotá, o que teria sido evitado pelo exército, segundo ele.
Na noite de ontem, o chefe das forças militares, general Fernando Tapias, descartou uma eventual ocupação de Bogotá planejada pela guerrilha. Antes, o governador de Cundinamarca, Andrés Gonzáles, também descartara a possibilidade de uma tentativa guerrilheira de sitiar a capital colombiana.

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