Contrabando em Foz 'emprega' 90 mil pessoas
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sexta-feira, 10 de junho de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Aproximadamente 90 mil pessoas trabalham para a logística do contrabando em Foz do Iguaçu e municípios vizinhos. Como a população estimada da região é de cerca de 400 mil pessoas, isto representa que mais de 20% dos habitantes das cidades próximas da Tríplice Fronteira contribuem para o transporte clandestino de mercadorias.
Os dados foram apresentados pelo Sindicato Nacional dos Técnicos da Receita Federal (Sindireceita), dentro do Seminário Internacional de Combate Estratégico ao Contrabando e à Pirataria, que teve início anteontem e será encerrado hoje em Foz. O objetivo do evento é propiciar discussões entre representantes dos governos federal, estadual e municipais e da sociedade civil sobre formas de minimizar a influência das ilegalidades citadas na economia da região.
O presidente nacional do Sindireceita, Paulo Antenor de Oliveira, considerou que o trabalho para diminuir estes índices alarmantes passa por três estratégias fundamentais: repressão, educação e medidas para diversificar a atividade econômica nas cidades próximas da fronteira. ''A repressão ao contrabando e à pirataria tem aumentado no Brasil, mas é preciso fazer ainda mais'', comentou Oliveira.
Segundo números do Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos Contra a Propriedade Intelectual, nos cinco primeiros meses deste ano foram apreendidos US$ 22 milhões em mercadorias contrabandeadas e pirateadas na região de Foz do Iguaçu, o que representou um aumento de 122% nos resultados das ações realizadas naquela área.
''Na questão educativa, o que as autoridades diretamente relacionadas ao assunto devem fazer é demonstrar à população que a compra de produtos contrabandeados e pirateados pode gerar danos. Milhares de produtos falsificados entram no País, desde CDs e DVDs até bisturis e peças de carros'', explicou Márcio Gonçalves, secretário-executivo do conselho.
''A região de Foz também necessita de alternativas de desenvolvimento. É necessário trazer novas indústrias para as cidades próximas da Tríplice Fronteira e também universidades, para capacitar mão-de-obra'', acrescentou Oliveira.


