A extração ilegal de mogno em reservas indígenas ou de preservação ambiental no sul, sudeste e oeste do Pará está devastando a floresta amazônica, já castigada por queimadas e derrubada de outras espécies nobres. De acordo com estimativas de entidades ambientalistas, madeireiros e fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a exportação deste mogno para a Europa, Estados Unidos e Ásia rende US$ 300 milhões por ano.
Os índios das tribos caiapó, xicrin, arara e assurini ficam com a menor parcela. Segundo o cacique Megaron, um dos líderes dos caiapó, um índio recebe R$ 50,00 para permitir a derrubada de uma árvore de mogno com mais de 40 metros de altura. Depois de cortada, a árvore é dividida em toras que chegam a valer até R$ 2.100 no mercado internacional. Cada tora tem 3,2 metros cúbicos. O metro cúbico do mogno é cotado a US$ 750.
Há poucos dias, durante uma blitz apoiada pela Polícia Federal, fiscais do Ibama de Brasília e do sul do Pará constataram irregularidades em 12 madeireiras da região. Nenhuma delas conseguiu comprovar o origem do mogno estocado em seus pátios. Em Redenção, os fiscais localizaram 15 mil metros cúbicos escondidos numa área próxima a uma das aldeias caiapó. Segundo o presidente do Ibama, Eduardo Martins, em três grandes madeireiras de Redenção os fiscais encontraram inventários de plano de manejo falsificados.
Um mateiro e um cortador de mogno ganham apenas R$ 7,00 diariamente para fazer o serviço. O presidente do Sindicato das Empresas de Madeiras de Marabá, João Batista Correia, disse que em todo meio existe o bom e o mau profissional, mas ‘‘se tem gente fazendo extração ilegal de mogno deve responder criminalmente por isso, porque os madeireiros sérios não apóiam esse tipo de ação’’.

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