Contrabandistas emitiam notas frias a magazines
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quarta-feira, 07 de dezembro de 2005
Janaina Garcia<br>Equipe da Folha 
Curitiba A Polícia Federal (PF) de Foz do Iguaçu, em conjunto com unidades de São Paulo, Amazonas e Rio Grande do Sul, prendeu ontem de madrugada 22 pessoas suspeitas de contrabando, descaminho e formação de quadrilha. As prisões foram efetuadas em conjunto com agentes da Receita Federal, após oito meses de investigações.
A operação cumpriu 21 mandados de prisão em Ribeirão Preto (SP), Sapiranga (RS), Amazonas (MA) e, no Paraná, em Foz do Iguaçu, Maringá e Cascavel. É dessas três cidades o maior número de detidos: 11. O 22º preso foi pêgo pela operação em Cascavel, mas como suspeito, e por porte ilegal de arma. O crime é inafiançável.
Segundo a assessoria de imprensa da PF em Foz, onde teve início a operação, no mês de março, as pessoas são acusadas de uso de notas frias para ''esquentar'' produtos piratas e contrabandeados originados do Paraguai. O comandante do esquema, conforme as informações oficiais, seria um empresário de Ribeirão Preto responsável pela importação ilegal, fornecimento de notas fiscais falsificadas e distribuição das mercadorias. Até ontem à noite, o montante em dinheiro movimentado pela quadrilha ainda estava sob apuração, bem como o número de notas frias encontrado pela operação em residências, escritórios e estabelecimentos comerciais.
De acordo com um delegado da PF que não quis se identificar, a maioria dos produtos contrabandeados se refere a eletroeletrônicos que seriam distribuídos aos estados envolvidos para venda ''em grandes lojas e magazines''. além de Cidade do Leste, parte das mercadorias também vinha de Miami, nos Estados Unidos. Uma vez no Brasi, elas seriam remetidas a diversos tipos de destinatários via empresas de transporte de Foz, ou através dos correios.
Ainda segundo o policial ouvido pela Folha, o nome da Operação Canil foi inspirado na empresa ''Casa do Cachorro'', um dos estabecimentos que emitia as notas que seriam ''esquentadas''.
Ontem à noite, mais pessoas envolvidas no transporte das mercadorias seguiam em processo de oitiva na Polícia Civil de Ribeirão Preto. Por esse motivo, a operação ainda não terminou, uma vez que, pelo que a reportagem apurou, mais gente pode ser envolvida direta ou indiretamente no esquema de contrabando.


