Londrina - Atuando em Londrina desde 1989, a Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia) encerrou as atividades do ano com um dia de comemoração. Uma festa regada a muita comida e diversão aos assistidos e suas famílias, que puderam curtir o fim de semana de sol às margens do Lago Igapó, na Zona Sul de Londrina. Momentos de descontração e alegria àqueles que têm de lutar diariamente não apenas contra o vírus do HIV, mas, principalmente, contra o vírus do preconceito social.
Presidente da associação, Silvana Gomes dos Santos, diz que o dia de confraternização é, sobretudo, um dia de comemorar a vida. ''Ainda que, hoje, exista tratamento eficaz, as dificuldades de quem se descobre como soropositivo são muitas, a começar pela própria aceitação. Precisamos vencer o peso moral que a aids carrega. Nosso trabalho consiste no acolhimento e promover a integração dessas pessoas'', comenta. Atualmente a entidade atende mais de 350 pessoas, cerca de 70 famílias. São cursos, palestras e doações.
Famílias como a de B.F., de 22 anos, que descobriu recentemente que é portadora do vírus quando estava grávida de seu filho caçula, hoje com quase três anos. ''Foi um choque no primeiro momento, mas nunca fui de ficar me lamentando. Minha maior preocupação era com meu filho, se ia acontecer o mesmo. Graças a Deus, ele não tem nada. Temos uma vida normal'', conta ela, que faz o tratamento junto com o marido, também soropositivo.
A mesma preocupação carregava A.S., de 50 anos, que há 11 convive com o vírus HIV. Após anos de tentativas frustradas de engravidar, foi quando, enfim, a alegria de ser mãe foi praticamente cerceada pela possível soropositividade. ''Era felicidade e uma tristeza tamanha ao mesmo tempo. Meu marido já havia sido confirmado. Eu, ainda, não. Tinha muito medo do que poderia acontecer ao bebê. Felizmente, nasceu forte, sem nada'', conta a diarista, cujo vírus se manifestou nela quando a filha completou 3 anos.
Pior do que a doença, a preocupação agora é não deixar que a filha sofra do preconceito por causa de sua condição. ''Ela foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida. Mas não merece sofrer por isso. As pessoas são cruéis, muito cruéis'', desabafa a mãe sobre a filha, que acaba de completar 14 anos. Entretanto, companheiras, acima de tudo, elas enfrentam os percalços e planejam um futuro diferente. ''Quero viver para poder ver suas conquistas.''
Exatamente o que tem feito o jovem L.M., de 17 anos, que já nasceu soropositivo. Ciente de suas limitações orgânicas, não se deixa abater e vislumbra uma vida cheia de vitórias. ''Comecei a trabalhar e vou estudar para passar no curso de Direito; quero ser juiz.'' Ele conta que, apesar de não revelar aos amigos que tem HIV, aconselha-os a serem responsáveis. ''Mesmo com vírus, tenho uma vida normal. Mas não dá para bobear, aids é coisa séria. E o preconceito me dá medo'', diz o rapaz.

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