Belfast, Irlanda do Norte, 29 (AE-AP) - Embora os governos britânico e da República da Irlanda tenham procurado demonstrar hoje (29) que as conversações de paz na Irlanda do Norte (Ulster) estão "progredindo", não houve nenhuma indicação de que o impasse entre católicos e protestantes tenha sido superado.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, teria advertido ambas as partes de que não haverá "Plano B", uma vez que ele estipulou o dia de amanhã (30) como prazo final para a formação do Executivo local, em cumprimento ao acordo de paz firmado em abril do ano passado. As negociações são intermediadas por Blair e o primeiro-ministro da República da Irlanda, Bertie Ahern.
O chefe do Executivo provisório do Ulster, o protestante David Trimble, líder do Partido Unionista do Ulster (UUP), disse aos jornalistas que o grupo guerrilheiro Exército Republicano Irlandês (IRA), e seu braço político, o Sinn Fein, não se comprometeram ainda com a deposição de armas por parte dos rebeldes.
"Muito pouco progresso foi alcançado. Existe uma quantidade enorme de trabalho a ser feito amanhã", disse Trimble. "Nós tivemos informações encorajadoras dos governos britânico e irlandês de que o Sinn Fein e o IRA estão caminhando para o compromisso claro e inequívoco que nós pedimos, mas ainda não ouvimos isso deles."
Os unionistas (protestantes favoráveis à manutenção do domínio britânico na província) só aceitam compor o governo local com o Sinn Fein - que teria direito a 2 das 12 cadeiras do Executivo - se o IRA depuser as armas. O Sinn Fein, entretanto, alega que o acordo de paz estabelece o mês de maio de 2000 como data final para o desarme, mas não fixa o dia para seu início nem o vincula à formação do Executivo.
Durante as conversações, iniciadas na sexta-feira, Blair propôs que o braço político do IRA seja aceito no governo em troca de um compromisso do grupo guerrilheiro de que iniciará a entrega de armas, solução que Trimble estaria disposto a aceitar. No entanto, o Sinn Fein tem repetido que não tem como influenciar o IRA a aceitar a decisão.
A apresentação de um relatório sobre as perspectivas de desarmamento da guerrilha e dos grupos paramilitares protestantes, marcada para hoje, foi adiada por 24 horas. Ambas as partes estavam aguardando as conclusões do documento, preparado pelo general canadense John de Chastelain - encarregado do processo de desarmamento na província -, na esperança de que pudesse trazer novos elementos para pôr fim ao impasse na formação do Executivo.
As conversações ocorrem num momento em que o ambiente no Ulster é de extrema tensão. No domingo, protestantes da organização Ordem de Orange planejam realizar uma marcha num reduto católico perto de Portadown, contrariando decisão da Comissão de Desfiles da província, que proibiu a passeata para evitar incidentes violentos.

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